quarta-feira, 7 de agosto de 2019

IDEOLOGIZAÇÃO DAS COISAS

Em uma perspectiva sociológica das coisas, vê-se que os mesmos fatos - quando não os criam fraudulentamente - são vistos com viés ideológico completamente diferentes! Aliás, a única semelhança, sobretudo em relação às posições extremistas, está na metodologia, pois até mesmo para o falseamento dos fatos, usa-se o mesmo método! Ou seja, os fakes news, quando não a própria contestação da realidade, são semelhantes. Muda-se apenas os lados, ou extremos. Tudo vale, desde que seja para combater o inimigo! Que “se lixe” o interesse da sociedade! Com efeito, qualquer semelhança com o senário político brasileiro atual não é mera coincidência não!

Infelizmente a nossa realidade atual não difere dessa realidade política. A odiosa política separatista entre “nós e eles”, que tanto mal causa, apenas mudou de lado. No passado quando o grupo que se intitulava de “esquerda” comandava os destinos do país, se autoproclamava e ainda continua como o verdadeiro “dono” da verdade, o salvador da pátria! O que vem ou veio em desfavor dos integrantes desse grupo “nós”, ou da sua política, é golpe dos reacionários (“eles”), a exemplo do que ocorreu com o impeachment da ex-presidente Dilma e prisão de alguns dos seus líderes políticos. No atual contexto, a titularidade da verdade mudou! Não se aceita crítica. Fruto do extremismo, o que reforça o ensinamento de que “quem vê só um lado do mundo só sabe uma parte da verdade”.

Na concepção do presidente Bolsonaro, seguido por alguns ministros do seu governo e por boa parte dos seus eleitores, o “nós” mudou de lado! Quem sabe das coisas somos nós; quem sabe distinguir o certo do errado somos nós; quem sabe identificar o que é bom para a sociedade somos nós etc, etc. E tal qual pensava e age o grupo que foi sucedido, o atual “eles”, a imprensa é “contra” o governo, e segundo o atual presidente “ainda está na oposição” (Folha, A8, 05.8.19) e consequentemente faz a política do adversário, a do “quanto pior melhor”, contrariando assim, os interesses da sociedade brasileira! O governo não erra, quem erra são os outros. Isso tudo, obstaculiza o diálogo e quem paga o preço é a sociedade brasileira, justamente quem necessitava e protagonizou a mudança!

É ingênuo supor que a imprensa não tenha seu lado ideológico implícito ou explícito. Contudo, não se pode olvidar que a imprensa, em especial, a séria, com algumas exceções, não cria fatos, apenas os divulga, que aliás, é um dos seus papéis. Logo, não pode ser taxada de parcial pela publicação de acontecimentos que não interessam ao governo. Ora, pensar o contrário, é espezinhar um dos postulados básicos da democracia que é a liberdade de imprensa. A verdade é que ela também, ainda que subliminarmente, tem seu lado, mas para os extremos, ela é sempre a vilã da história, com ou sem razão. Isso, contudo, não se permite que se aplauda toda e qualquer divulgação, em especial, aquelas acessadas ilegalmente por hackers.

Uma grande parte do eleitorado brasileiro queria mudanças na condução político-administrativa do país, é o que revelou o resultado das urnas, na eleição de 2018, isso não se contesta, tendo o apoio ao combate à corrupção, em especial, à operação Lava Jato, como mola propulsora desse contexto.

Contudo, o trancamento, pelo ministro Dias Toffoli, do inquérito policial que apura transações bancárias anormais de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, ainda que indireta, causou certa estranheza para boa parte dos eleitores que acreditava no propósito de se combater efetivamente a corrupção, a criminalidade.

Na mesma linha, parte do eleitorado que votou no presidente vem se manifestando contrário às suas atitudes, falas inconvenientes e inoportunas. Até mesmo recorrendo-se a fakes news, como aconteceu, por exemplo, em relação à participação da jornalista Miriam Leitão na guerrilha do Araguaia.

Mas isso tudo não impede que inúmeros seguidores do presidente continuem defendendo-o e atribuindo à “esquerda” e à imprensa a culpa em relação a esse quadro. A culpa é dos outros.

Não há dúvida de que parte da oposição torce pelo “quanto pior melhor” e que vem sendo fomentada pelas falas do presidente e pelas suas participações nas redes sociais.

A pluralidade de ideias é salutar e imprescindível para a democracia, o que é diferente da ideologização radical das coisas em direita e esquerda que é a grande vilã desse quadro e que em nada contribui!

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Cadeira nº. 14:
Patrono: Walmir da Rosa Peixoto

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Patrulha Mirim canta o Hino de Amambai na instalação da ACAL


ACAL realiza a primeira Reunião Ordinária em Amambai

Acadêmicos Amambaienses discutiram importante pauta literária para o segundo semestre de 2019

Foto: Tião Prado
A Academia Amambaiense de Letras (ACAL) completa seu primeiro aniversário, no dia 28 de setembro de 2019. A instalação do sodalício ocorreu na Praça Central, com a presença dos Poderes Executivos e Legislativo. Na ocasião, vinte poetas e escritores tomaram posse como membros efetivos, além de membros correspondentes em oito Unidades da Federação e quatro membros correspondentes internacionais. O evento contou com a participação do poeta amambaiense Sady Bianchin, do Rio de Janeiro, que tem como Patrono Alfredo Serejo.

A segunda conquista literária para o município de Amambai, foi a Lei sancionada pelo Poder Executivo que instituiu, anualmente, a Semana Municipal da Leitura, de 23 a 30 de outubro.

Após a inscrição do CNPJ da confraria e ajustes administrativos, os acadêmicos realizaram no último domingo, dia 4 de agosto, a primeira Reunião Ordinária com a seguinte pauta: 1. Expediente; 2. Aniversário da Academia; 3. Lançamento de livros; 4. Concurso Literário para estudantes; 5. Participação da ACAL na 31ª Expobai, no período de 5 a 8 de setembro; e, 6. Atividades Literárias durante a Semana Municipal da Leitura.

Estiveram presentes os seguintes acadêmicos: Rogério Fernandes Lemes; Dora Nunes; Albertino Fachin; Aldair Lucas Carvalho; Edirley Viana Vieira; José Carlos de Oliveira Robaldo; Diobelso Teodoro de Oliveira; e, Daniel Sabino. Justificaram as faltas: José Carlos da Silva; Ailton Salgado Rosendo; Odil Cleris Toledo Puques; Cleber de Araújo Arantes; Ricardo Pallaoro; Viviane Scalon Fachin; Almiro Pinto Sobrinho; João Urague Filho; Ramão Ney Magalhães; Iolete Moreira; Maria Margareth Escobar Ribas Lima; e, Christian Pissini.

Foto: Tião Prado
A ACAL produzirá, trimestralmente, o Jornal Literário da Academia com a publicação de poesias, contos, literatura de cordel, artigos, crônicas, entrevistas, além da produção literária de estudantes das escolas públicas e particulares de Amambai. As opções para o nome do periódico foram: Letras Amambaienses; O Crepúsculo; e, Vozes Imortais. O nome vencedor foi “Letras Amambaienses”.

As reuniões da ACAL serão bimestrais, no primeiro sábado do mês, na Biblioteca Municipal de Amambai localizada na Rua: Rui Barbosa, 3572 – Vila Primavera (ao lado da SEMED). A segunda reunião ordinária será no dia 5 de outubro de 2019, às 18h.

Ler a Ata da reunião

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Corumbá: Contexto histórico da ocupação urbana no Pantanal Sul-mato-grossense

Prof. Dra. Maria Margareth Escobar Ribas Lima-UFMS

O Município de Corumbá, localizado à margem direita do Rio Paraguai na fronteira oeste do Brasil com a Bolívia, possui 64.965 Km2 fazendo divisa com os municípios de Porto Murtinho, Bodoquena, Miranda, Aquidauana, Rio Verde, Coxim e Sonora, foi fundada em 21 de setembro de 1778 pelo Capitão-General Luiz de Albuquerque, cujo objetivo principal foi delimitar e assegurar o domínio português na então Capitania de Mato Grosso (Fig. 01).

FIGURA 01: Localização do Município de Corumbá em Mato Grosso do Sul. FONTE: Lauzie Xavier. PEP/IPHAN. 2004. 

Inicialmente denominada Povoação de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, conservando-se por alguns anos como simples destacamento militar transformou-se lentamente em povoação. Ainda no século XVIII, sob a forma de uma fortificação militar, a cidade servia como ponto de apoio à garantia da navegabilidade no rio Paraguai em face da instabilidade de segurança da fronteira e aos constantes ataques dos índios que povoavam o Alto Paraguai, hostis à presença dos colonizadores (Fig. 02). 
No período de 1864 a 1870, foi assolada pela Guerra do Paraguai, quando foi invadida e ocupada pelas tropas de Solano Lopes em 1861, sofrendo os efeitos da Guerra testemunhado, sobretudo, pela destruição de uma incipiente infraestrutura aí instalada, além da quase dizimação do seu contingente populacional, tanto pelas batalhas de invasão e reconquista quanto pela epidemia de varíola que sucedeu o pós-guerra. 
Após esse período, com a sua retomada em 1867 e também com fim da Guerra do Paraguai em 1870, Corumbá passa a apresentar um considerável crescimento populacional e comercial, por conta da vinda de inúmeros estrangeiros (portugueses, italianos, franceses, espanhóis, alemães, árabes, uruguaios, argentinos, bolivianos e principalmente paraguaios) atraídos pela possibilidade de obter lucros com diversas atividades que afloravam na região. Segundo ALVES (2000, p. 140):

“Com a entrada maciça de mercadorias inglesas em seus portos fluviais, Mato Grosso começou a experimentar, também, o luxo e o consumo ostensivo, apreendendo, inclusive por meio desses indicadores, o significado do progresso capitalista. Não que o capitalismo se constituísse numa experiência propriamente nova para a Província, pois toda a sua história fora capitalista. O progresso, sim, era um componente novo, e se toma referência no século XIX. ”

FIGURA 02: Planta da Povoação de Albuquerque levantada pelo sargento-mor José Antônio Pinto de Figueiredo, datada de 1°de abril de 1789. FONTE: Cronologia de Corumbá/MS. Lauzie Xavier. PEP/IPHAN. 2004.

Foi através do Rio Paraguai, que Corumbá prosperou como principal entreposto comercial interligado com a capital Rio de Janeiro e com os países da Bacia do Prata. Esse fluxo de pessoas advindas de outras nações e de outras regiões do próprio Brasil, trazendo seus costumes, suas crenças, suas tradições, suas técnicas e práticas possibilitou a formação de um mosaico cultural peculiar. 
Sob o aspecto histórico, Corumbá constitui um dos mais antigos núcleos urbanos do atual Mato Grosso do Sul e de toda a porção oeste do Brasil, constituindo-se em um baluarte militar capaz de garantir a defesa da desguarnecida fronteira da colônia lusitana na capitania de Mato Grosso contra as invasões castelhanas.
Destaca-se também que, navios transatlânticos ligavam Corumbá às cidades de Buenos Aires, Assunção e Montevidéu, bem como a várias cidades europeias além da presença dos poderosos “mascates fluviais”, dentre os quais se posta com grande importância, o português Manoel Cavassa, que fizeram do porto fluvial de Corumbá o terceiro maior da América Latina até 1930. Nesse momento, as casas comerciais em Corumbá dispunham de acesso privilegiado aos mercados dos grandes centros urbanos da época, o que lhe possibilitava o controle de preços das mercadorias e das suas tendências nessas fontes.
Até a década de 50, os Rios Paraguai, Paraná e Prata (Fig. 03) eram os alguns meios de comunicação da região. Assim, a cidade vivia sob a influência dos países da Bacia do Prata, dos quais herdou grande parte dos seus costumes, hábitos e linguagem; isso ocorreu naturalmente devido à sua localização fronteiriça e ao isolamento físico que sofria na época, distante das demais cidades brasileiras.
FIGURA 03: Mapa do Rio Paraguai e Rio Paraná formadores da Bacia Platina. Fonte: Maria de Fatima Costa (1999).

A partir daí, observou-se o desenrolar de um constante processo de reorganização espacial, que marcou um considerável acervo de prédios históricos ainda hoje presentes na região mais antiga a cidade e que constituiu o núcleo inicial a partir do qual se processou sua expansão urbana. 
A cidade, na década de 1940, iniciou também atividades industriais, com a exploração das reservas de calcário - componente para a indústria do cimento – além de outros minérios, exploração esta, presente na região até os dias atuais. 
Porém, foi nesta mesma década de 40, com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil cuja ligação ferroviária ocorreu com a finalização da construção da Ponte Ferroviária Eurico Gaspar Dutra no Rio Paraguai, que se faz a mudança do curso da história e da economia local (Fig. 04). 
Essa situação ocasionou o abandono do porto e o transformou em uma região decadente, onde os antigos prédios em que funcionavam importantes casas comerciais foram sendo transformados em habitações coletivas, as quais passaram a ser ocupadas por populações de baixa renda, geralmente compostas por famílias desalojadas pelas cheias do Pantanal as quais se refugiavam na cidade, onde passavam a ocupar esses imóveis abandonados. 
Devemos lembrar que, os imóveis remanescentes que hoje compõem o patrimônio ambiental urbano de Corumbá começaram a ser construídos no período pós-guerra do Paraguai, no período de 1870 a 1920 (Fig. 05).
FIGURA 04: Ponte Ferroviária Eurico Gaspar Dutra no Rio Paraguai, obra finalizada no final da década de 40. FONTE: e Acervo da Autora.

FIGURA 05: Vista aérea da cidade de Corumbá com o primeiro plano do casario do porto hoje protegido pelo tombamento em níveis Municipal e Federal. FONTE: Prefeitura Municipal de Corumbá. (1999).

Em 1985, com o propósito de preservar e proteger valores históricos e culturais, o então prefeito Fadah Scaff Gattas decreta como Patrimônio Histórico Municipal, o Casario do Porto Geral de Corumbá (Decreto 129/85). Em 1992 é criada a Zona Especial de Preservação Ambiental e Paisagística do Porto Geral de Corumbá. E, em 1993 o Conjunto Histórico, Arquitetônico e Paisagístico do Casario do Porto Geral de Corumbá foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Processo nº 1182-T-1985). O Conjunto Arquitetônico foi inscrito no Livro Histórico, no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico e no Livro de Belas Artes em 28 de setembro de 1993(Fig. 06). 
FIGURAS 06: Vista do rio Paraguai no porto de Corumbá, onde esta parte da área tombada. FONTE: IPHAN/MS. (2008).

O Município de Corumbá também integra um dos mais importantes complexos ecológicos do planeta denominado Pantanal, o qual apresenta exuberância paisagística e riqueza de diversidade biológica. O Pantanal é uma Reserva da Biosfera, declarado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1981 e reconhecido Patrimônio Nacional pela Constituição Brasileira em 1988, ocupando 60% do território do Município de Corumbá. 
Pode-se também citar valores artísticos como a Praça da Independência, um desses exemplos da exuberância arquitetônica na cidade que, para a época, apresentava elementos paisagísticos peculiares e modernos para este local, como o lago com pontes, coreto e estátuas em mármore com temática das estações do ano (Fig. 07). 

FIGURA 07: Praça da Independência década de 1950 e imagens das Estatuas em mármore, o Coreto e Pontes no lago. FONTE: Imagem retirada: www.facebook.com.br/corumbamemorias e Acervo da Autora.

Estes fatores motivaram chamar a cidade de Corumbá de Capital do Pantanal, constituindo-se assim, o principal portal para o santuário ecológico. Corumbá é uma cidade que apresenta diversas festividades que fazem parte do calendário cultural onde se podem apreciar os particulares aspectos culturais da região.
Enfim, o desenvolvimento, que muitas vezes permite destruir a história e a cultura local, principalmente a arquitetura, no caso de Corumbá, chegou com menor intensidade permitindo assim, que os diversos edifícios, ainda existentes, além dos significantes registros dos valores histórico-culturais, testemunhem a peculiar e valorosa história desta cidade do século XVIII em um contexto inóspito como era o Pantanal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AYALA S. C, Simon, Feliciano. Álbum Gráphico do Estado de Mato Grosso, Prefácio; São Paulo – SP. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006. 433pp.
ALVES, Gilberto Luiz. A casa comercial e o capital financeiro em Mato Grosso: 1870- 1929.Campo Grande- MS: 2ª Edição Revisada. 2000.
COSTA, Maria de Fatima. A História de um país inexistente: O pantanal do século XVI e XVIII. São Paulo: Kosmos, 1999.
FERNANDES, César da Silva. Relatório de Pesquisa Histórica. Projeto de Intervenção do Patrimônio Edificado de Corumbá. Programa Monumenta. Corumbá-MS. Jul/2009.

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Ir para a página de Margareth Escobar
Cadeira nº. 19:
Patrono: Hernando Elpidio Ribas

Haicais livres

Na sua boquinha
que bonito que é
A cuia de tereré!

***

Primavera.
No ninho. Vida nova,
reclama pela mãe.

***

Minha sede é enjoada!
Só acaba,
com um bom tereré!

***

Um, dois, três.
Um... cem... mil, choveu.
Um a uma, a terra bebeu.

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Cadeira nº. 11:
Patrono: João Fousek

Chovia!

Chovia, quando entrei naquela padaria.
Todo molhado, ouvi uma voz:
— Posso ajudá-lo?

Foi a primeira vez que a vi!
E a amei desde então.
Molhado de chuva.

Naquele inverno, naquela chuva.
Todos os dias!
Eu estava naquela padaria.
Até que consegui!
Ela me aceitou em sua vida!
E assim meus dias foram de sol!
A luz dela me iluminava!

O abrir de seus olhos,
ao amanhecer, ao meu lado
era como um carinho que eu recebia,
era como um beijo na face.

Assim como a chuva,
quando estávamos juntos,
ela escorria pelo meu corpo,
éramos felizes, nos amávamos!

Mas ela se foi,
não sei se me deixou,
não sei se era sonho,
será que acordei?

Agora, a chuva não cai mais do céu,
mas sim, dos meus olhos,
em frente a padaria.

— Posso ajudá-lo?

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Cadeira nº. 20:
Patrono: Algacyr Pissini

Acosta Ñu

Em tempos sidos a fronteira
da grande nação paraguaia
e a brasileira foi banhada,
não pela chuva serôdia,
mas por la sangre derramada.
O homem é capaz
de abandonar a paz
e na sua animalidade,
– e é bom não depreciarmos os animais
porque agem por instinto –
usaram da mais alta crueldade.
Chicos muy chicos
sacam as armas
sem saber manejá-las
velhos, muitos de bengalas,
vão para o combate
e no embate final
morrem à balas.
O grande temor abala os pequenos
e o Conde D’Eu
com muito veneno em seu eu,
numa justiça cega
manda tocar fogo na macega,
onde a morte venceu.
Como é duro imaginar
las madrecitas, guaranis bonitas
sobre seus filhos
vê-las chorar.
Quanto vale uma vida?
Uma fronteira mais larga?
Ou mais comprida?
Ver um povo sucumbido
simplesmente por ter crescido
mais do que “deveria”?
Enquanto isso:
O inglês ria, o brasileiro sofria,
na sua consciência, de que por falta de ciência,
usara sem propósitos
a sua artilharia.

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Cadeira nº. 10:
Patrono: Lourino Jesus de Albuquerque