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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Onde tem cultura em Dourados?

Foto: A. Frota
O título deste artigo, acrescido de um ponto de interrogação, tem por finalidade estimular um amplo debate sobre cultura no município de Dourados. Obviamente que não se trata de uma pretensão subjetiva apenas, mas de setoriais representativas da literatura, das artes cênicas, circense e visuais, audiovisual, música, contação de histórias ou de qualquer manifestação do espírito humano capaz de transformar vidas.
A iniciativa do Circuito Cultural de Dourados é do Fórum Permanente de Cultura do município, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da 4ª Subseção da OAB. E para fazer história, o primeiro dos quatro encontros culturais aconteceu nesta segunda-feira (16/09), às 19h no Teatro Municipal de Dourados com convite para todos os munícipes e tendo como tema: “Onde tem cultura em Dourados”.
Para Vito Comar, membro do Fórum Permanente de Cultura, que foi o mediador do evento, os objetivos do Circuito giram em torno do diálogo permanente sobre cultura, com elaboração de diagnóstico sobre os caminhos percorridos no município para o fomento; sobre a efetiva contribuição do Poder Público por meio de editais através da Secretaria Municipal de Cultura e o Fundo Municipal de Cultura, bem como o acesso da Cultura douradense junto ao Sistema Nacional de Cultura. “No decorrer das apresentações, as conversas se aprofundarão para contemplar a situação dos diferentes setores culturais, como Artes Visuais, Artes Cênicas, Audiovisual, Cultura Indígena, Música e Literatura”, concluiu.
O evento contou com a participação do Secretário Municipal de Cultura Clarindo Cleber Gimenes; do Secretário Executivo do Fórum Cultural Vito Comar; da Musicista e Produtora Cultural Dra. Graciela Chamorro; do Ator e Produtor Cultural João Rocha; do Ator e Produtor Audiovisual Thiago Rotta; e, pela Musicista e Editora literária Fernanda Ebling. A Fundação de Cultura do Estado do Mato Grosso do Sul não participou do evento.
A discussão da Arte como ato de amor e como fonte de subsistência e trabalho, geração de renda como parte efetiva do processo econômico do município foram alguns dos objetivos da Mesa Redonda. Também foram discutidos a promoção de ações para o fortalecimento de manifestações culturais de Dourados e a organização das setoriais da área da Cultura, com o intuito de sensibilizar a sociedade douradense e autoridades nas atividades culturais nas escolas, nos grupos de teatro e dança, nos espaços de produção cultural, juntos aos artesãos, ilustradores e atividades independentes, artístico-cultural praticadas como categoria de mercado e geração de renda no município.
Cada participante teve a oportunidade de falar um pouco sobre sua atuação direta nas atividades culturais, das dificuldades encontradas como: falta de planejamento e envolvimento dos poderes Executivo e Legislativo. O público presente participou através de perguntas aos convidados, bem como, a exposição dos problemas enfrentados para que Dourados tenha mais acesso à Cultura.
O Circuito Cultural de Dourados realizar-se-á em quatro encontros, nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro. De acordo com a Organização, cada encontro terá um tema e ações diferentes. Em setembro discute-se “Onde tem cultura em Dourados”. Em outubro, “Como produzir cultura”?, com o oferecimento de oficinas para levantamento das demandas dos setores culturais. Em novembro, acontecerá uma “Conferência Pública de Cultura”, com o objetivo de apresentação das demandas elencadas nas oficinas do encontro anterior. Em dezembro, o fechamento do circuito será com uma“Audiência Pública de Cultura”,com a elaboração de um Plano Municipal de Ações para atender às demandas culturais de Dourados.


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Cadeira nº. 1:
Patrono: Antônio Delgado Martinez

sábado, 24 de agosto de 2019

Construindo os Alicerces de Amambai

Foto: Divulgação.

O Engenheiro Civil Ernesto Vargas Batista, de tradicional família deste Cone-Sul do Estado, faleceu neste inicio de 2011, legando para todos nós e para a Historia de Amambaí um “curriculum” de trabalho progressista.
No final da década de 1950, quando eu era Fiscal/Avaliador do Banco do Brasil, tive a felicidade de conviver com o amambaiense Ernesto, co-proprietário junto com seus irmãos da Fazenda Morumbi, nas margens do Rio Paraná, na época ainda Município de Amambaí.
O Porto Morumbi atualmente faz parte do Município de Iguatemi, criado em novembro de 1963.Pretendendo executar um projeto agro-industrial inédito na região, o então Prefeito de Amambaí requereu financiamento junto à Carteira de Credito Agrícola e Industrial – CREAI, construindo valetas e outras obras de drenagem em uma área continua de duzentos hectares nas várzeas do Paranazão, com a intenção de cultivar arroz irrigado.Foram edificados também dois Barracões com estrutura metálica, paredes e teto de zinco, a melhor tecnologia possível na época.
Com modernas máquinas para Beneficiamento e embalagem do produto, aquele arroz crioulo de Amambaí conquistou os mercados paranaenses. Anotem que vivíamos os anos 50/60 do século passado, no Sul do então Estado de Mato Grosso, quando a margem esquerda do Rio Paraná ainda era coberta por matas virgens. O Norte Novo do Paraná apenas começava suas derrubadas.
Do outro lado havia o pequeno povoado de Guaíra, criado e fundado pela Companhia Mate Larangeiras (com G mesmo). O Engenheiro Ernesto Vargas Batista tinha visão de futuro. Amambaí começou a ser construída verdadeiramente nessa administração, e por isso sempre comento com meus amigos que o Ernesto foi o melhor Prefeito que conheci nestes meus 76 anos de vida fronteiriça.
Demarcando um traçado mais adequado e moderno foi encurtada a distancia até Ponta Porã, onde o Prefeito João Portela Freire seu parente por afinidade e que tinha raízes também aqui na Vila União como ainda nos referíamos carinhosamente, em parceria construíram o primeiro cascalhamento que permitiu um tráfego mais rápido.
Com freqüência nosso Prefeito embarcava em Ponta Porã nos aviões da Nacional, Real ou Panair do Brasil rumo a Capital Cuiabá em busca de recursos financeiros.
Com seu veículo particular um Jeep DKW, ele percorria as estradas municipais, fazendas de gado e ervais. Afinal, a produção do campo arrecadava os Impostos que construíam Amambaí. Aliás, a produção rural ainda nos dias atuais é a maior fonte de renda local e regional.
Foram redemarcados os traçados das rodovias para Iguatemi, Juti e demais distritos, criando ainda uma Patrulha mecanizada que cuidava dos acessos às Fazendas, permitindo o escoamento da produção e a locomoção dos moradores. Quando Ernesto assumiu a Prefeitura, Amambaí não tinha Energia Elétrica, um simples motor gerador fornecia uma energia precária.
Muitas vezes à noite no escritório de sua residência eu datilografava laudos para o Banco do Brasil, e o trabalho só poderia ser feito até às 20:30 horas, quando o motor era desligado.
Pois bem, Ernesto deu a LUZ para Amambaí. Com poucos meses de gestão, e com recursos da própria população, com venda de Ações foi idealizada, projetada e construída a Usina do Panduí. Com Energia Elétrica abundante e barata ficou mais agradável assistir à noite, aos Filmes no Cinema do Doneville, na Pedro Manvailler, onde hoje é o Escritório de Contabilidade do seu filho Domar e do neto Baiúca. Mantendo a tradição de trabalho e progresso seus sobrinhos Vargas de Aquino, filhos do medico Aristeu são criadores de Nelore Marca 27 do melhor padrão racial regional.
E na Educação, seus sobrinhos netos Ivolim e Lauro Andrey, que além de Monteiro e Carvalho, ostentam o Vargas e Batista operacionalizando as Faculdades Integradas de Amambaí-Fiama, valorizam o futuro. E Amambaí recebeu muitas dádivas pelo trabalho e competência do seu filho ilustre, que agora aos 92 anos faleceu em Campo Grande.
A trajetória profissional e política desse engenheiro/prefeito que armou os alicerces de Amambaí deve ser cultuada como um dos capítulos mais importantes da historia do Cone-Sul do Estado.

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Ir para a página de Ramão Ney Magalhães
Cadeira nº. 15:
Patrono: Ernesto Vargas Baptista (Patrono da ACAL)

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Representatividade dos Estudantes Indígenas no Ensino Superior: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul Unidade Universitária de Amambai

No início do século XXI o debate sobre as Políticas Afirmativas se intensificou no âmbito das Universidades brasileiras e as cotas passaram a ser discutidas na comunidade universitária e órgãos colegiados. O princípio que norteava o processo era promover igualdade de acesso ao Ensino Superior para as minorias raciais e étnicas, entre as quais se inserem os indígenas Kaiowá e Guarani, uma população significativa de povos originários que habita a região sul do estado de Mato Grosso do Sul.

Foi nesse contexto que a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), instituição de ensino superior pública, regida em âmbito estadual, passou a discutir em seus Conselhos Superiores uma maior inserção dos indígenas em seus cursos.

A população do estado de Mato Grosso do Sul, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2010), se constitui de 2.449.341 (dois milhões, quatrocentos e quarenta e nove mil e trezentos e quarenta e um) habitantes, sendo que dentre estes 2,99% são indígenas.

Os povos originários em Mato Grosso do Sul representam a segunda maior população do país num total de 73.295 índios que perfazem 8,96% do país. As etnias Kaiowá e Guarani têm seu território localizado no cone sul do estado de Mato Grosso do Sul, ocupando principalmente a bacia hidrográfica do Rio Paraná que banha os municípios de Dourados, Amambai, Caarapó, Juti, Antônio João, Coronel Sapucaia, Laguna Carapã, Ponta Porã, Rio Brilhante, Maracaju, Sete Quedas, Eldorado, Iguatemi, Japorã, Bela Vista, Paranhos.

O Censo de 2010 informa que a população Kaiowá e Guarani é composta de aproximadamente 50 mil habitantes, distribuída por mais de 30 aldeias (LANDA, 2014).

Partindo dessa percepção e na conjuntura em questão, no ano de 2002 foi sancionada a Lei Estadual nº. 2.589, que determinou a reserva de 10% das vagas para alunos indígenas, na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Essa legislação foi regulamentada pelo Estado, ouvidas as lideranças dos movimentos indígenas e a comunidade acadêmica, em todos os cursos oferecidos nas 15 Unidades Universitárias situadas nas cidades de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Cassilândia, Coxim, Dourados, Glória de Dourados, Ivinhema, Jardim, Maracaju, Mundo Novo, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba e Ponta Porã (Idem).

Foi a partir do vestibular de 2003 que os estudantes indígenas passaram a concorrer, entre seus pares, nos vestibulares da UEMS e a ingressar no ensino superior público estadual de Mato Grosso do Sul. Embora a divulgação da adoção dessa política afirmativa, ainda assim a procura inicial foi muito tímida e as inscrições não ocorreram no número esperado, haja vista a quantidade de estudantes indígenas registrados pelo censo escolar da Educação Básica, no estado de Mato Grosso do Sul.

Assim, no intuito de apresentar a evolução da inserção dos indígenas no Ensino Superior em Mato Grosso do Sul, foi feito um recorte espacial por meio do qual selecionamos o município de Amambai/MS, que conta, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2010), com uma população indígena de 7.158 habitantes, bastante significativa se levarmos em conta que a população de Amambai, por esse mesmo censo foi de 34.730.

Segundo dados levantados anteriormente e já publicados “Além dos indígenas que habitam as reservas e Aldeias do município, há que se considerar a população urbana e a das cidades circunvizinhas que também concentram grande número de indígenas” (FACHIN, 2017, p. 194).

No ano da adoção ao sistema de cotas na UEMS, na Unidade Universitária de Amambai, em 2003 passou a ser ofertado o curso de História e em 2008 o curso de Ciências Sociais, ambos, licenciaturas visando atender a demanda por professores dessas áreas na Educação Básica. Os levantamentos feitos pela Secretaria Acadêmica da Unidade demonstram que no primeiro ano da adoção de cotas pela UEMS, em Amambai não houve procura e que apenas em 2004 ingressaram dois estudantes indígenas no curso de História. 

No ano de 2005 apenas um indígena ingressou e no ano de 2006 não houve nenhum ingressante, voltando a ter uma matrícula no ano de 2007. Importante ressaltar que o regime de cotas é uma forma de acesso ao Ensino Superior, que não garante por si só a permanência desses estudantes, que precisam se deslocar, não raro mais de 50 quilômetros de suas moradias até a Universidade, todos as noites, visto que estamos falando de cursos noturnos.

Embora todas as dificuldades, no ano de 2008, no curso de História ingressaram seis estudantes, três em História e três em Ciências Sociais, no seu primeiro vestibular. Foi a partir de 2008 que, na Unidade Universitária de Amambai, dois cursos passaram a ser ofertados, concomitantemente. 

No ano de 2009 foram matriculados cinco estudantes indígenas no curso de História e nenhum em Ciências Sociais, já em 2010 uma matrícula se efetivou em História e quatro em Ciências Sociais. No ano de 2010 a UEMS se credenciou no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), programa criado pelo governo federal, gerenciado pelo Ministério da Educação (MEC), que seleciona candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), para ingressar nas universidades federais e estaduais. 

Nos anos de 2011, 2012 e 2013 também não houve número expressivo de matriculados, sendo três em História e quatro em Ciências Sociais, quatro em História e nenhum em Ciências Sociais, quatro em História e três em Ciências Sociais, respectivamente.

Nos anos subsequentes o crescimento das matrículas dos estudantes indígenas foi significativo, a partir de 2014 nove estudantes ingressaram nos cursos ofertados na Unidade Universitária de Amambai, quatro em História e cinco em Ciências Sociais. Em 2015, foram dez ingressantes, cinco em História e cinco em Ciências Sociais, em 2016 seis ingressaram em História e nove em Ciências Sociais. 

Mas foi em 2017 que a evolução se mostrou realmente consolidada, ingressaram neste ano nove estudantes indígenas no curso de História e oito em Ciências Sociais. E em 2018 tivemos dezesseis alunos indígenas matriculados em História e dezenove em Ciências Sociais. 

Atualmente contamos com 58 estudantes indígenas matriculados e frequentando os cursos de História e Ciências Sociais, são alunos dedicados e assíduos, embora dependam do transporte propiciado pelas Prefeituras de Amambai, Tacuru e Coronel Sapucaia que, muitas vezes não circulam devido as diversidades dos calendários letivos e/ou feriados municipais. O que podemos ressaltar é que o sistema de cotas possibilitou a população originária, acesso a Universidade, considerando que é uma população significativa, constituída em grande parte por jovens, que ocupam as áreas de reserva próximas às cidades, convivendo diariamente com a população não índia, o que propicia condições para que busquem no Ensino Superior tendo “[...] como provável explicação a necessidade destes na formação de lideranças com aquisição de conhecimentos fundamentais, que possam ser utilizados na defesa dos direitos indígenas [...]” (CORDEIRO, 2008, p. 41), dando-lhes visibilidade e oportunidade de procurarem melhores condições de vida por meio da Educação.

Referências bibliográficas
CORDEIRO. M. J. J. A. Negros e Indígenas cotistas da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul: desempenho acadêmico do ingresso à conclusão do curso. São Paulo. PUC. 2008.
FACHIN, V. S. Revista Desenvolvimento, fronteiras e cidadania, vol. 1, nº. 1, pp 182-204, jul/2017.
LANDA, B. S.; VIANA, F. L. B.; AUGUSTO, E.; FERREIRA, E. M. L.; AGUILERA, H.; A. Indígenas no Ensino Superior: as experiências do programa Rede de Saberes, em Mato Grosso do Sul, 1. ed. RJ: Editora E-papers, 2014. 192p.

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Ir para a página de Viviane Scalon Fachin
Cadeira nº. 9:
Patrona: Marlene Vilarinho Albuquerque

IDEOLOGIZAÇÃO DAS COISAS

Em uma perspectiva sociológica das coisas, vê-se que os mesmos fatos - quando não os criam fraudulentamente - são vistos com viés ideológico completamente diferentes! Aliás, a única semelhança, sobretudo em relação às posições extremistas, está na metodologia, pois até mesmo para o falseamento dos fatos, usa-se o mesmo método! Ou seja, os fakes news, quando não a própria contestação da realidade, são semelhantes. Muda-se apenas os lados, ou extremos. Tudo vale, desde que seja para combater o inimigo! Que “se lixe” o interesse da sociedade! Com efeito, qualquer semelhança com o senário político brasileiro atual não é mera coincidência não!

Infelizmente a nossa realidade atual não difere dessa realidade política. A odiosa política separatista entre “nós e eles”, que tanto mal causa, apenas mudou de lado. No passado quando o grupo que se intitulava de “esquerda” comandava os destinos do país, se autoproclamava e ainda continua como o verdadeiro “dono” da verdade, o salvador da pátria! O que vem ou veio em desfavor dos integrantes desse grupo “nós”, ou da sua política, é golpe dos reacionários (“eles”), a exemplo do que ocorreu com o impeachment da ex-presidente Dilma e prisão de alguns dos seus líderes políticos. No atual contexto, a titularidade da verdade mudou! Não se aceita crítica. Fruto do extremismo, o que reforça o ensinamento de que “quem vê só um lado do mundo só sabe uma parte da verdade”.

Na concepção do presidente Bolsonaro, seguido por alguns ministros do seu governo e por boa parte dos seus eleitores, o “nós” mudou de lado! Quem sabe das coisas somos nós; quem sabe distinguir o certo do errado somos nós; quem sabe identificar o que é bom para a sociedade somos nós etc, etc. E tal qual pensava e age o grupo que foi sucedido, o atual “eles”, a imprensa é “contra” o governo, e segundo o atual presidente “ainda está na oposição” (Folha, A8, 05.8.19) e consequentemente faz a política do adversário, a do “quanto pior melhor”, contrariando assim, os interesses da sociedade brasileira! O governo não erra, quem erra são os outros. Isso tudo, obstaculiza o diálogo e quem paga o preço é a sociedade brasileira, justamente quem necessitava e protagonizou a mudança!

É ingênuo supor que a imprensa não tenha seu lado ideológico implícito ou explícito. Contudo, não se pode olvidar que a imprensa, em especial, a séria, com algumas exceções, não cria fatos, apenas os divulga, que aliás, é um dos seus papéis. Logo, não pode ser taxada de parcial pela publicação de acontecimentos que não interessam ao governo. Ora, pensar o contrário, é espezinhar um dos postulados básicos da democracia que é a liberdade de imprensa. A verdade é que ela também, ainda que subliminarmente, tem seu lado, mas para os extremos, ela é sempre a vilã da história, com ou sem razão. Isso, contudo, não se permite que se aplauda toda e qualquer divulgação, em especial, aquelas acessadas ilegalmente por hackers.

Uma grande parte do eleitorado brasileiro queria mudanças na condução político-administrativa do país, é o que revelou o resultado das urnas, na eleição de 2018, isso não se contesta, tendo o apoio ao combate à corrupção, em especial, à operação Lava Jato, como mola propulsora desse contexto.

Contudo, o trancamento, pelo ministro Dias Toffoli, do inquérito policial que apura transações bancárias anormais de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, ainda que indireta, causou certa estranheza para boa parte dos eleitores que acreditava no propósito de se combater efetivamente a corrupção, a criminalidade.

Na mesma linha, parte do eleitorado que votou no presidente vem se manifestando contrário às suas atitudes, falas inconvenientes e inoportunas. Até mesmo recorrendo-se a fakes news, como aconteceu, por exemplo, em relação à participação da jornalista Miriam Leitão na guerrilha do Araguaia.

Mas isso tudo não impede que inúmeros seguidores do presidente continuem defendendo-o e atribuindo à “esquerda” e à imprensa a culpa em relação a esse quadro. A culpa é dos outros.

Não há dúvida de que parte da oposição torce pelo “quanto pior melhor” e que vem sendo fomentada pelas falas do presidente e pelas suas participações nas redes sociais.

A pluralidade de ideias é salutar e imprescindível para a democracia, o que é diferente da ideologização radical das coisas em direita e esquerda que é a grande vilã desse quadro e que em nada contribui!

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Ir para a página de José Carlos de Oliveira Robaldo
Cadeira nº. 14:
Patrono: Walmir da Rosa Peixoto

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Corumbá: Contexto histórico da ocupação urbana no Pantanal Sul-mato-grossense

Prof. Dra. Maria Margareth Escobar Ribas Lima-UFMS

O Município de Corumbá, localizado à margem direita do Rio Paraguai na fronteira oeste do Brasil com a Bolívia, possui 64.965 Km2 fazendo divisa com os municípios de Porto Murtinho, Bodoquena, Miranda, Aquidauana, Rio Verde, Coxim e Sonora, foi fundada em 21 de setembro de 1778 pelo Capitão-General Luiz de Albuquerque, cujo objetivo principal foi delimitar e assegurar o domínio português na então Capitania de Mato Grosso (Fig. 01).

FIGURA 01: Localização do Município de Corumbá em Mato Grosso do Sul. FONTE: Lauzie Xavier. PEP/IPHAN. 2004. 

Inicialmente denominada Povoação de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, conservando-se por alguns anos como simples destacamento militar transformou-se lentamente em povoação. Ainda no século XVIII, sob a forma de uma fortificação militar, a cidade servia como ponto de apoio à garantia da navegabilidade no rio Paraguai em face da instabilidade de segurança da fronteira e aos constantes ataques dos índios que povoavam o Alto Paraguai, hostis à presença dos colonizadores (Fig. 02). 
No período de 1864 a 1870, foi assolada pela Guerra do Paraguai, quando foi invadida e ocupada pelas tropas de Solano Lopes em 1861, sofrendo os efeitos da Guerra testemunhado, sobretudo, pela destruição de uma incipiente infraestrutura aí instalada, além da quase dizimação do seu contingente populacional, tanto pelas batalhas de invasão e reconquista quanto pela epidemia de varíola que sucedeu o pós-guerra. 
Após esse período, com a sua retomada em 1867 e também com fim da Guerra do Paraguai em 1870, Corumbá passa a apresentar um considerável crescimento populacional e comercial, por conta da vinda de inúmeros estrangeiros (portugueses, italianos, franceses, espanhóis, alemães, árabes, uruguaios, argentinos, bolivianos e principalmente paraguaios) atraídos pela possibilidade de obter lucros com diversas atividades que afloravam na região. Segundo ALVES (2000, p. 140):

“Com a entrada maciça de mercadorias inglesas em seus portos fluviais, Mato Grosso começou a experimentar, também, o luxo e o consumo ostensivo, apreendendo, inclusive por meio desses indicadores, o significado do progresso capitalista. Não que o capitalismo se constituísse numa experiência propriamente nova para a Província, pois toda a sua história fora capitalista. O progresso, sim, era um componente novo, e se toma referência no século XIX. ”

FIGURA 02: Planta da Povoação de Albuquerque levantada pelo sargento-mor José Antônio Pinto de Figueiredo, datada de 1°de abril de 1789. FONTE: Cronologia de Corumbá/MS. Lauzie Xavier. PEP/IPHAN. 2004.

Foi através do Rio Paraguai, que Corumbá prosperou como principal entreposto comercial interligado com a capital Rio de Janeiro e com os países da Bacia do Prata. Esse fluxo de pessoas advindas de outras nações e de outras regiões do próprio Brasil, trazendo seus costumes, suas crenças, suas tradições, suas técnicas e práticas possibilitou a formação de um mosaico cultural peculiar. 
Sob o aspecto histórico, Corumbá constitui um dos mais antigos núcleos urbanos do atual Mato Grosso do Sul e de toda a porção oeste do Brasil, constituindo-se em um baluarte militar capaz de garantir a defesa da desguarnecida fronteira da colônia lusitana na capitania de Mato Grosso contra as invasões castelhanas.
Destaca-se também que, navios transatlânticos ligavam Corumbá às cidades de Buenos Aires, Assunção e Montevidéu, bem como a várias cidades europeias além da presença dos poderosos “mascates fluviais”, dentre os quais se posta com grande importância, o português Manoel Cavassa, que fizeram do porto fluvial de Corumbá o terceiro maior da América Latina até 1930. Nesse momento, as casas comerciais em Corumbá dispunham de acesso privilegiado aos mercados dos grandes centros urbanos da época, o que lhe possibilitava o controle de preços das mercadorias e das suas tendências nessas fontes.
Até a década de 50, os Rios Paraguai, Paraná e Prata (Fig. 03) eram os alguns meios de comunicação da região. Assim, a cidade vivia sob a influência dos países da Bacia do Prata, dos quais herdou grande parte dos seus costumes, hábitos e linguagem; isso ocorreu naturalmente devido à sua localização fronteiriça e ao isolamento físico que sofria na época, distante das demais cidades brasileiras.
FIGURA 03: Mapa do Rio Paraguai e Rio Paraná formadores da Bacia Platina. Fonte: Maria de Fatima Costa (1999).

A partir daí, observou-se o desenrolar de um constante processo de reorganização espacial, que marcou um considerável acervo de prédios históricos ainda hoje presentes na região mais antiga a cidade e que constituiu o núcleo inicial a partir do qual se processou sua expansão urbana. 
A cidade, na década de 1940, iniciou também atividades industriais, com a exploração das reservas de calcário - componente para a indústria do cimento – além de outros minérios, exploração esta, presente na região até os dias atuais. 
Porém, foi nesta mesma década de 40, com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil cuja ligação ferroviária ocorreu com a finalização da construção da Ponte Ferroviária Eurico Gaspar Dutra no Rio Paraguai, que se faz a mudança do curso da história e da economia local (Fig. 04). 
Essa situação ocasionou o abandono do porto e o transformou em uma região decadente, onde os antigos prédios em que funcionavam importantes casas comerciais foram sendo transformados em habitações coletivas, as quais passaram a ser ocupadas por populações de baixa renda, geralmente compostas por famílias desalojadas pelas cheias do Pantanal as quais se refugiavam na cidade, onde passavam a ocupar esses imóveis abandonados. 
Devemos lembrar que, os imóveis remanescentes que hoje compõem o patrimônio ambiental urbano de Corumbá começaram a ser construídos no período pós-guerra do Paraguai, no período de 1870 a 1920 (Fig. 05).
FIGURA 04: Ponte Ferroviária Eurico Gaspar Dutra no Rio Paraguai, obra finalizada no final da década de 40. FONTE: e Acervo da Autora.

FIGURA 05: Vista aérea da cidade de Corumbá com o primeiro plano do casario do porto hoje protegido pelo tombamento em níveis Municipal e Federal. FONTE: Prefeitura Municipal de Corumbá. (1999).

Em 1985, com o propósito de preservar e proteger valores históricos e culturais, o então prefeito Fadah Scaff Gattas decreta como Patrimônio Histórico Municipal, o Casario do Porto Geral de Corumbá (Decreto 129/85). Em 1992 é criada a Zona Especial de Preservação Ambiental e Paisagística do Porto Geral de Corumbá. E, em 1993 o Conjunto Histórico, Arquitetônico e Paisagístico do Casario do Porto Geral de Corumbá foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Processo nº 1182-T-1985). O Conjunto Arquitetônico foi inscrito no Livro Histórico, no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico e no Livro de Belas Artes em 28 de setembro de 1993(Fig. 06). 
FIGURAS 06: Vista do rio Paraguai no porto de Corumbá, onde esta parte da área tombada. FONTE: IPHAN/MS. (2008).

O Município de Corumbá também integra um dos mais importantes complexos ecológicos do planeta denominado Pantanal, o qual apresenta exuberância paisagística e riqueza de diversidade biológica. O Pantanal é uma Reserva da Biosfera, declarado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1981 e reconhecido Patrimônio Nacional pela Constituição Brasileira em 1988, ocupando 60% do território do Município de Corumbá. 
Pode-se também citar valores artísticos como a Praça da Independência, um desses exemplos da exuberância arquitetônica na cidade que, para a época, apresentava elementos paisagísticos peculiares e modernos para este local, como o lago com pontes, coreto e estátuas em mármore com temática das estações do ano (Fig. 07). 

FIGURA 07: Praça da Independência década de 1950 e imagens das Estatuas em mármore, o Coreto e Pontes no lago. FONTE: Imagem retirada: www.facebook.com.br/corumbamemorias e Acervo da Autora.

Estes fatores motivaram chamar a cidade de Corumbá de Capital do Pantanal, constituindo-se assim, o principal portal para o santuário ecológico. Corumbá é uma cidade que apresenta diversas festividades que fazem parte do calendário cultural onde se podem apreciar os particulares aspectos culturais da região.
Enfim, o desenvolvimento, que muitas vezes permite destruir a história e a cultura local, principalmente a arquitetura, no caso de Corumbá, chegou com menor intensidade permitindo assim, que os diversos edifícios, ainda existentes, além dos significantes registros dos valores histórico-culturais, testemunhem a peculiar e valorosa história desta cidade do século XVIII em um contexto inóspito como era o Pantanal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AYALA S. C, Simon, Feliciano. Álbum Gráphico do Estado de Mato Grosso, Prefácio; São Paulo – SP. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006. 433pp.
ALVES, Gilberto Luiz. A casa comercial e o capital financeiro em Mato Grosso: 1870- 1929.Campo Grande- MS: 2ª Edição Revisada. 2000.
COSTA, Maria de Fatima. A História de um país inexistente: O pantanal do século XVI e XVIII. São Paulo: Kosmos, 1999.
FERNANDES, César da Silva. Relatório de Pesquisa Histórica. Projeto de Intervenção do Patrimônio Edificado de Corumbá. Programa Monumenta. Corumbá-MS. Jul/2009.

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Cadeira nº. 19:
Patrono: Hernando Elpidio Ribas

sábado, 3 de agosto de 2019

A Páscoa

A Paixão de Cristo ocorreu durante o Pessach, um dos mais importantes feriados religiosos Hebraicos. A palavra significa “passagem” e se refere a libertação do cativeiro no Egito. O velho testamento conta que uma vez livres do domínio dos faraós, os judeus seguiram sua jornada pelo deserto, guiados por Moises rumo a Israel. Na fuga, a pressa não deixou que eles fermentassem o pão: por isso a Matsá, espécie de pão ázimo (sem levedo), tornou-se componente essencial no cardápio do Pessach.
A data exata 
Ao contrário do que muita gente pensa, é a páscoa que rege a data do carnaval. Ela é estabelecida no primeiro domingo depois da primeira lua cheia do outono, no (hemisfério sul). Dois dias antes do domingo de páscoa é a sexta-feira, e quarenta dias antes dessa sexta-feira, a quarta feira de cinzas que determina o fim do carnaval.
O ovo
Os chineses já acostumavam distribuir ovos coloridos entre amigos, na primavera, como referência a renovação da vida. Pela mesma razão o ovo é ingrediente obrigatório no Pessach. No século XVIII, a igreja adotou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo, incorporando assim, um costume não cristão à comemoração.
Coelho
O animal era símbolo de fertilidade no antigo Egito, por sua rapidez em se reproduzir, representa a fecundidade e a capacidade da igreja em multiplicar seus fiéis. Calcula-se que as lendas relacionadas ao coelho da páscoa surgiram por volta de 1215, na região francesa da Alsácia. No Brasil chegaram no início do século 20 por meio dos imigrantes Europeus.
Quaresma
Os quarenta dias que precedem a semana santa são dedicados a preparação para a celebração. “na tradição judaica, havia 40 dias de resguardo do corpo em relação aos excessos para rememorar os 40 anos passados no deserto”. Páscoa é um período proposto para a conversão, mudança. Mudanças interiores são um desafio para cada indivíduo, portanto este período pode (deve) ser um auxílio, mas o desejo real de modificação tem que partir da vontade própria de cada um, então desde já... Feliz Páscoa.

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Cadeira nº. 8:
Patrona: Maria Bataglin Machado

Amambai 150 anos de história

Tomando como base a época das primeiras escaramuças do Mariscal Paraguayo Solano Lopes nestas terras de Nhú-Verá e Sacarón, invadindo o Território Brasileiro, e pós Guerra da Tríplice Aliança quando o soldado Thomáz Larangeiras (com G mesmo) participava dos combates decorreram já 150 Anos, o Amambai começava a escrever sua história.
Finda a guerra esse gaúcho de origem catarinense criou a Cia. Mate Larangeira e instalou o primeiro acampamento/ranchada de erva, nas várzes de “M’Boi-jaguá” dando inicio ao povoado.
A derrubada do Império, as guerrilhas e a Revolução Federalista, lá no Rio Grande do Sul, com a proclamação da Republica provocaram represálias e perseguições políticas motivando um grande êxodo no rumo dos campos e coxilhas do Sul do então Mato Grosso, região que haviam encantado os soldados combatentes.
O Governo incentivava a vinda de colonos e a ocupação das terras, confirmando com a presença de brasileiros a consolidação das fronteiras recém demarcadas.
Na ultima década daquele século 1893/94, arreando os cavalos e brochando os bois nas carretas, nossos avós gaúchos gaudérios e valentes partiram para o desconhecido em busca desse Eldorado. Foram acampando e fazendo suas roças de subsistência pelas margens do Rio Amambaí, Rio Iguatemi, alcançaram Ponta Porã, o Rio Dourados e ocuparam o cone sul do grande Estado.
Neste planalto de Amambai pontilhado de lagoas, radicaram-se os Pereira, dos Santos, Albuquerque, Brum, Machado, Xavier, Vieira, Rocha, Peixoto, Vargas, Lima, Maciel, Ledesma, Puc ou Puks, Batista, Mascarenhas, Moreira, Gregól, Hollosback, Rodrigues, Oliveira e milhares de outros nomes tradicionais.
Da caravana de meus parentes, os meus tios avós Lourino, Amandio, Podalirio e Dario Berghan de Albuquerque quedaram-se por Amambaí e Iguatemi.
A irmã deles Anália dos Santos Berghan de Magalhães casada com meu avô Luiz Pinto de Magalhães seguiu para Ponta Porã, onde constituíram uma grande família.
No inicio do século 20, lá por 1904 o Presidente do Estado iniciou a venda de terras devolutas com o intuito de fixar aqueles colonizadores e ao mesmo tempo reafirmar as fronteiras. Os Títulos Definitivos de Terras, as Escrituras, os Registros Cartoriais foram confirmados com a posse e com o trabalho de colonização obedecendo todas as Constituições que ao longo dos Anos regeram nossas leis. Nas mesmas condições em que foi colonizada a orla marítima desde 1.500.
A cadeia dominial das propriedades é, portanto no mínimo centenária e sem vícios, e não se registram casos de litígios possessórios.
O Banco do Brasil recebe a terra nua em Garantia Hipotecaria fazem pelo menos 70 anos, e com aval do Banco Central.
Em 1970 aconteceu a Segunda Colonização com a vinda principalmente de novos gaúchos, catarinenses e paranaenses. E com lavouras mecanizadas afirmou-se o agronegócio, principal fonte de renda regional.
Assim a Bandeira Brasileira foi hasteada nestas Fronteiras e se mantém como impávido colosso por todos estes anos pela tenacidade e trabalho dessas famílias que labutam na produção de alimentos. Essa é a vocação natural.
Eis que surgem agora segmentos do Governo, e da Igreja Católica, leia-se CIMI-Conselho Missionário Indigenista e CNBB-Confederação Nacional dos Bispos do Brasil desestabilizando toda esta Sociedade, com o terrorismo de expropriar as Terras, taxando-as de ilegais.
A Audiência Pública convocada pelos Vereadores de Amambaí no próximo dia 22 no Plenário que leva o nome de Lourino de Jesus Albuquerque, filho do meu tio avô pioneiro, deve trazer luzes e iluminar a mente da Sociedade como um todo comprovando o direito democrático da posse escriturada e registrada conforme determina a Carta Magna da Nação.

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Cadeira nº. 15:
Patrono: Ernesto Vargas Baptista (Patrono da ACAL)

terça-feira, 30 de julho de 2019

Os desafios editoriais no Brasil: dilemas e perspectivas

Por Rogério Fernandes Lemes

sergiocatarino.net
Este artigo é para qualquer pessoa, mas, especialmente aos novos poetas e escritores conhecidos em nosso tempo como “autores autofinanciáveis”. Não se trata de uma categoria nova. No entanto, as novas tecnologias delimitam novos paradigmas, ou seja, novas maneiras de interação editorial e produção de novas obras literárias.
Por exemplo, o procedimento para avaliação de originais, há vinte ou trinta anos atrás, era muito diferente e demorado. Os autores, ao concluírem seus livros submetiam, através de envios postais seus originais às editoras. Decorridos algum tempo recebiam a devolutiva se seus originais seriam ou não publicados.
A dinâmica de tais publicações sempre beneficiava os editores, pois estes possuíam os meios necessários para publicação destinando, dessa forma, uma pequena porcentagem das vendas dos livros aos seus autores, em média, dez por cento. Se voltarmos ao século passado e tomarmos o livro russo Crime e Castigo, por exemplo, constataremos sua produção em partes, ou por capítulos, que eram enviados ao editor à medida que Dostoiévski os concluía.
De qualquer forma, os autores quase sempre desprovidos de recursos econômicos, ficavam à mercê da lei de mercado, a oferta e a procura, além dos editores priorizarem a literatura comercial, obviamente. O foco das editoras sempre foi o lucro, independente se a produção fosse superior ou inferior, para utilizar a definição de Aristóteles quando atribui assuntos superiores à tragédia e, inferiores, à comédia.
Quando falamos, anteriormente, que as novas tecnologias mudaram essa dinâmica editorial, é no sentido de uma facilidade e aproximação entre autores e editores, principalmente ao processo que conhecemos como autofinanciamento de livros. Os autores autofinanciáveis contam com as pequenas editoras espalhadas por todo o país, além da possibilidade que as gráficas oferecem para as pequenas tiragens, a partir de cinquenta exemplares.
E quais seriam os prós e contras desse novo modelo editorial praticado? Quais as vantagens e desvantagens para os autores? A produção editorial tem o mesmo valor literário de um livro produzido em uma grande editora? Para responder a essas perguntas vale lembrarmos que Manuel Bandeira, e outros poetas brasileiros consagrados, fizeram pequenas tiragens autofinanciáveis de seus primeiros livros, em torno de 200 exemplares.
A facilidade de comunicação direta com o editor, no caso das pequenas editoras, é a primeira vantagem que os autores encontram para tratar da produção de seu sonho literário. A possibilidade de uma pequena tiragem também é algo importante, que evita o acúmulo de livros parados, sem falar no valor final do projeto, algo que não comprometeria o orçamento de seus autores. A produção editorial e tão válida quanto um livro publicado por uma editora de renome nacional ou internacional, pois os livros são registrados na Biblioteca Nacional, possuem ficha catalográfica, envio de exemplar à reserva legal ou averbação da obra no Escritório de Direitos Autorais. Outra vantagem considerável aos autores é o fato de que receberão o valor das vendas de seus livros, cem por cento.
E no que se refere às desvantagens dos projetos autofinanciáveis? O fato dos autores financiarem cem por centro do projeto seriam uma questão e, o fato da distribuição dos livros às livrarias do país, seria a outra desvantagem considerável para a divulgação do nome de qualquer autor.
Mas nos deparamos com outra questão de fácil resposta. Escrever algo brilhante e comercialmente viável para que uma grande editora escolha os originais e tente emplacar no mercado, ou publicar, ainda que com outras pretensões pessoais mais modestas, seus livros há muito guardados nas gavetas? Com a consciência e o desejo de que seus escritos sejam conhecidos e lidos, é que os novos autores autofinanciáveis investem em seus sonhos literários.
Outra vantagem já mencionada, a da pequena tiragem, é o fato de uma rápida reimpressão de exemplares de acordo com demanda dos autores. Essa agilidade garante uma carreira literária local bem consolidada. Esperar a vida toda para escrever o texto perfeito ou mesmo ter os originais aceitos por uma editora que, além de distribuir e lucrar muito, caso o livro se torne um best-seller, além de receber dez por cento dessas vendas, é um fator definitivo para que os autores autofinanciáveis invistam em seus projetos.
As novas tecnologias e as parcerias comerciais entre editoras, gráficas e transportadoras derrubaram as barreiras entre editores e autores, em qualquer parte do país. O crescente aumento desses setores empresariais no mercado garante preços, economicamente viáveis, além de qualidade de impressão e prazos de entrega.

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Cadeira nº. 1:
Patrono: Antônio Delgado Martinez