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quarta-feira, 16 de outubro de 2024

PROFESSORA

Por Helena Pereira




Nas mãos trago o verbo ensinar

Teço destinos, moldo amanhãs

E em cada olhar que se perde no ar

Vejo o futuro dos tempos maçãs


Quem se doa, inteira e sem fim

Na sala com gestos para encantar

O coração, que pulsa em mim

Se faz abrigo no ato de amar


Criança/aluno que nasce e voa

Pedaço de mim, sempre a crescer

Saudade no tempo que ecoa

Amor pelo eterno aprender


Sou jornada de sorriso e de dor

Despedidas e sonhos que se vão

Ao ensinar é um mundo de cor

Do que sou, do que fui, doação


Conhecer Helena Pereira

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Força minha

Por Helena Pereira


No caminho cada passo ainda é brasa, das pedras que lançaram no meu peito

Das bocas que sussurram a desgraça, mas sigo, sem fraqueza e sem defeito

Que me invejem, que tentem me calar, eu sou feita de coragem e de chama

E quando suas sombras vêm me olhar, sou a luz que acende e inflama


Tantas vezes caí, perdi a conta, a cada queda, me ergui mais forte

A vida, em guerra me afronta, não tenho medo, enfrento até a morte

Olhares de ódio, lembro e carrego, são brilhantes ladrilhando minha estrada

Se pensam que na lama eu me entrego, não sabem que eu sou a alvorada


Cada lágrima que me fizeram verter, fez crescer a semente da vontade

Sou eu que ousa renascer, que vou além e venço a tempestade

Me derrubar? Sigam tentando, vou em frente, feita de aço e de esperançar

No mundo frio e cortante que você mente, com minha fé sei onde quero chegar


Conhecer Helena Pereira

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Paralaxe

Por Rogério Fernandes Lemes


O poeta colide com o tempo
Cruza os céus
E entre uma nuvem e outra
Abraça a dádiva da vida
Com todas as suas forças.
A poesia é rota de colisão
Aos despercebidos do tempo
Aos aprimorados em instantes perfeitos
Inconformados com a falta de fé
São tomados pela rítmica
E infinita sucessão de erros e acertos
Tentativas e determinâncias
Efusivos que fazem dela, a poiesis,
O processo mais criativo
Mais estrondoso a fundir-se
Com o tempo que não espera,
Não perdoa, não volta atrás...
O poeta sabe disso
E mesmo assim, paralaxia
Novas palavras, novos signos
Novos sons...
Poesia em tudo,
Para todo o sempre.

______

Ir para a página de Rogério Fernandes Lemes
Cadeira nº. 1
Patrono: Antônio Delgado Martinez

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Sinapses da infância


O menino saiu pelo campo

Logo depois da chuva

Amava sentir a refrescância na sola dos pés

Ao pisar a grama molhada.

 

Seus olhos atentos à superfície do chão

Em busca das tenras e inigualáveis guaviras

Que explodiam no céu da sua boca

Em um misto de vislumbre e sinestesia

Do mais verdadeiro paraíso.

 

Ao percorrer toda a extensão

Sempre colidia com a casinha de palha

Sustentada por varotes de cambará

“Lenha de bugre”, sempre ouviam lhe dizer

Mas não entendia o que significava.

 

Queria adentrar ao casebre à beira do brejo

Impregnado com o cheiro da fumaça constante

Do crepitar do cambará partindo em brasas

Ansiava pelo evento que mais iguala os seres vivos:

O alimentar-se cotidianamente.

 

A iguaria era simples: mandioca cozida

Imersa em graxa quente

Assim vislumbrava o ente devorar seu café da manhã

Totalmente envolto em icônica existência.

 

O menino sempre que saia pelo campo

Logo depois da chuva, com os pés molhados

E o gosto ainda intenso, da última guavira,

Se deparava com a casinha de palha, à beira do brejo

A observar o alimentar-se do ente

Que rangia os dentes, totalmente imerso

E envolto em sua icônica existência.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

MELO (dia) Pantaneira

Por Helena Pereira

De caminhos de terra e poeira

E de alma aventureira

Os segredos do vento a mil

No coração, a paixão 

O Brasil!


De um explorar destemido

Nas trilhas do desconhecido

Do motor se ouve o ronco

Na curva da estrada

A vida ganha cores

Não há jornada cansada


No Pantanal tão imenso 

A felicidade é clara

Canta o motociclista

O amor à natureza 

Em meio à flora rara


Simplicidade é bússola

O nascer do sol é o guia

A poeira é a escola

O som da moto, melodia


De coragem e sorriso

De alma e coração

A moto e o paraíso

Festejam a sua vida

Feliz aniversário irmão!


Conhecer Helena Pereira

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

ACAL esteve presente em mais um lançamento de livro em Amambai


Na noite do dia 8 de setembro de 2023, em comemoração ao aniversário de 75 anos de Amambai, a Biblio Editora e a poetisa Helena Pereira lançaram, no auditório da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, a obra literária intitulada “Amambai: tua história em versos”.

O livro é prefaciado pelo Presidente da ACAL (Academia Amambaiense de Letras), o escritor e editor Rogério Fernandes Lemes e contém vinte e cinco poemas que enaltecem o gentílico amambaiense. O posfácio foi escrito pelo escritor e vereador Odil Puques, que também é membro da ACAL.

A obra homenageia a cultura e a história do município de Amambai. A autora mirim Isadora Maria Guerini Albuquerque declamou um poema de Helena Pereira, bem como, a poetisa Helena Kolle e Edirley Viana Vieira (ACAL) declamaram mais poesias da autora.

Participaram do evento o Dr. Edinaldo Luiz de Melo Bandeira, prefeito de Amambai e homenageado no livro; o Presidente da ACAL, que destacou “a importância do livro para a literatura local, chamando-o de ‘uma grande riqueza’; enfatizou a necessidade de promover novos poetas e leitores na região, e que Amambai se destaca no ensino e na literatura e quando recebe o apoio adequado, a literatura demonstra o quanto de sensibilidade há no entendimento para uma vida melhor, mais tranquila e mais inspiradora”, afirmou. Cida Farias, vereadora que representou a presidente da Câmara Municipal, Lígia Borges, enfatizou o potencial literário de Amambai e destacou que o Legislativo está à disposição para apoiar iniciativas culturais que elevem o nome da cidade.

A autora Helena Pereira expressou sua gratidão pela oportunidade de homenagear a cidade que a acolheu e enfatizou o caráter inclusivo e acolhedor de Amambai. O lançamento de “Amambai: tua história em versos” celebrou o aniversário da cidade e deu ênfase à literatura como um instrumento efetivo para a preservação das raízes culturais dos cidadãos amambaiense.













terça-feira, 1 de agosto de 2023

Dia do Poeta da Literatura de Cordel

O verdadeiro cordelista
Autoria: Rogério Fernandes Lemes

Há quem diga que o cordel
Só exista no Nordeste.
Fora desse redondel
É cópia e cabra da peste.
Que cordel é nordestino;
Só pode ser genuíno
Se for fruto do agreste.

Me vem um questionamento:
Não posso me apropriar
Deste belo ensinamento;
Dessa arte secular?
O que faz um cordelista?
Se não ser um ativista
Da cultura popular?

Porque tanto estranhamento
E egoísmo no pensar?
É por esse pensamento
Que só faz capenguear.
Mesmo longe do Nordeste
Passando pelo Sudeste,
Não paro de cordelar.

Assim como o nordestino
Eu falo do meu lugar;
Que tem rio cristalino
Onde não pode pescar.
O rio Formoso em Bonito
Reflete o céu infinito,
Que me perco só de olhar.

Que dizer de Manoel
E das coisinhas do chão?
Nós usamos o cordel
Para dar mais expressão;
Divulgar o meu Estado,
Um lugar abençoado,
Que tem Deus no coração.

Se não fosse um cordelista
Homem triste eu seria,
Ou quem sabe um repentista,
Para minha alegria.
Mas o fato é que escrevo;
O cordel é meu enlevo
Vinte e quatro horas por dia.

Certo dia eu conheci;
Já tinha ouvido falar.
Então eu não resisti
E resolvi cordelar.
Comecei quadra fazendo
Sextilha fui aprendendo,
Até a sétima chegar.

Uns diziam que besteira
O negócio de rimar.
Prefiro fazer esteira,
Pois não gosto de pensar.
Só que quando eles ouviam
Muitos deles só sorriam,
Com vontade de escutar.

Verdadeiro cordelista
Escreve aquilo que sente.
Não quer ser exclusivista
Isso o cordel não consente.
Cordel traz interações;
Aproxima regiões
E enaltece nossa gente.

Mas quem é o cordelista?
Me diga, quero saber.
Das letras é alquimista;
Não vive sem escrever.
Escreve verso com rima;
Metrifica ainda por cima,
Coisa linda de se ver.

Eu não nasci no sertão;
Não tive tal privilégio.
Mas amo de coração
E não acho um sacrilégio.
Escrever cordel eu quero;
É meu desejo sincero;
O cordel é meu colégio.

E assim sigo cordelando
Escrevendo cada verso;
Eu levo a vida cantando
No cordel eu vou imerso.
Sei que sou bom cordelista
Me sinto bem ativista,
Neste vasto universo.

Escrevi este cordel
Em forma de brincadeira;
Usei lápis e papel
Pra dizer que é besteira
Dizer que é só nordestino;
Se não for é clandestino,
Pois cordel não tem fronteira.

Cordelistas somos todos,
Do Oiapoque ao Chuí,
Deus me livre dos engodos
Que criticam por aí.
É gaúcho ou nordestino;
Homem velho ou menino;
Cordel também é daqui.

Publicado inicialmente na Revista Criticartes | 1º Trimestre de 2017 / Ano II - nº. 06

quinta-feira, 20 de julho de 2023

ÉS TU, AMAMBAI

Por Helena Pereira

Amambai, oh terra bela, de mil encantos rara,
Onde o sol, em campos de Vacaria, se despede em chama,
Seu calor é viril, sua luz não se compara,
E a beleza do teu entardecer, a todos clama e aclama.

Teu povo, forte e valente, de gentílico tão nobre,
Amambaiense, que em teu solo, com amor labuta,
Na fronteira com o Paraguai, onde o sol se dobra,
E voz da natureza, em teu seio, tão bela se escuta.

Três aldeias indígenas, em teu manto, resistem,
Ecoando histórias ancestrais, em cada amanhecer,
Em teus arredores, cidades vizinhas florescem,
E em teu coração, oh Amambai, todos querem viver.

Teu relevo levemente ondulado, igual mar em calmaria,
Teu céu tão vasto, onde as estrelas fazem morada,
Tua população crescente, em harmonia,
Oh Amambai, és a joia mais preciosa e amada.

Teu fuso horário, em descompasso com Brasília,
Mas em teu tempo, tudo floresce e prospera,
Tua história, oh Amambai, é maravilha,
Tua beleza, em cada canto, sempre se espera.

Oh Amambai, de Mato Grosso do Sul,
Tua poesia se escreve em cada rua e avenida,
Em cada sorriso aberto e em cada gesto,
Amambai, em meu coração, tu és a vida.


Conhecer Helena Pereira

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Diálogo do silêncio

Por Helena Kolle


Conversamos, falamos muito,

brigamos, gritamos um com o outro,

falamos coisas que machucam,

elogiamos, fazemos pedidos,

juras, promessas, cantadas.

 

Ficamos horas conversando,

rindo, brincando, gargalhando,

contando fatos, perguntando,

respondendo, fazemos planos,

viagens, namoros, noivados,

casamentos, separações, verdades,

mentiras, fofocas, fatos.


Faz-se compras, vendas, doações,

empréstimos de coisas, casas,

carros, dinheiro, roupas,

móveis, imóveis, animais.


Contamos histórias,

estórias, causos, piadas.


Estudamos todos os tipos

de matérias possíveis,

matriculamos em cursos,

formamos, mostramos nosso desempenho,

criticamos ou/e elogiamos o do outro.


Enquanto isso tudo acontece

podemos estar tão perto

ou tão longe do outro,

mas por aplicativo de texto

isso se faz em segundos

em um diálogo no silêncio.


(Amambai-MS, 15/01/2023).

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

O anoitecer

(Francisco Martins Silva)

 

O sol já se põe
A noite a entrar em cena
O barulho do dia já não se ouve
Agora é a noite que silenciosa e escura
Vem a pairar no tempo
E manifestar sua beleza e calmaria serena.
E assim na madrugada
Acolher os amores,
Fortalecer os sonhos,
Trazer repouso aos espíritos
E garantir a paz e harmonia das almas plenas.
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Patrono: Aluísio Azevedo

Primavera e Flores

(Francisco Martins Silva)

 

As árvores se refloresceram,
As flores brotaram com tanto vigor!
Os beija-flores voltaram a beijar as flores,
A natureza encheu-se de amor.

Setembro já começou,
A estação mais bela chegou,
É a primavera que veio
E logo conosco habitou.

Ela nos traz boas fragrâncias
Das flores que nela brotou,
De tão lindas e de muita elegância
Cada flor tem seu aroma e cor.

Até a luz do sol está mais bela,
Os pássaros cantam com maior glamour,
E as flores dos jardins tão ternas
Nos cativam com amor.
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Patrono: Aluísio Azevedo

No deserto

(Francisco Martins Silva)

 

Areia, céu e imensidão,
Tempo, ventania e solidão,
Deserto de grande vastidão,
Lugar com areal imenso
E com azul celestial intenso
Juntam-se ao profundo silêncio,
E com as brancas nuvens em combinação
Deparo-me com pouca distração,
Encaminho-me para o meu eu em reflexão,
Vivencio a tão salutar experiência
De desatar os nós dos vícios da existência
E a despertar em mim a verdadeira consciência
De erros e contradições,
E alcançar a tão digna conversão
Ao retorno da boa índole e de um ser em ascensão.
Esforçar-me-ei agora com persistência
Neste deserto que me leva com insistência
A encontrar o oásis em que me saciarei com prudência
Da divina fé e esperança, e com a convicção
De que em profunda oração
Volto a experimentar a viver a minha verdadeira vocação.
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Patrono: Aluísio Azevedo

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Pentecostes

Vida e alma entrelaçadas

contagiam acordes e gorjeios

macio vento o tédio corta,

cinquenta dias serenaram

depois de a páscoa passar.


Sol amarelo inquieto

respingam versos na parede,

dúvidas clareiam na manhã...


Divina celebração,

palavra chega devagar

quebra o silêncio do vir a ser,

derrama o Espírito Santo.


É Pentecostes...

Poder da salvação!



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Cadeira nº. 18

Patrono: Hilton Pereira Vargas

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

MEU LAR E MEU MUNDO

Por Rogério Fernandes Lemes

Imagem: https://3.bp.blogspot.com


 No dia em que nasci

definiu-se o meu destino

com uma marca de nascença:

que, por onde eu andasse,

sempre que de ti falasse,

sentiria a tua presença...


Pois nas águas de teus rios

brinquei alegre e feliz

desde os tempos de guri.

Das quermesses e da Praça

lembro-me, ainda, com graça,

da infância que vivi.


Pelos belos guavirais,

entre muitos passarinhos,

vi o pôr-do-sol mais lindo.

E, sentado no Cruzeiro,

contemplava eu, faceiro,

a lua em festa se abrindo.


Por essas e outras lembranças,

de todas as minhas andanças,

é que de mim tu não sai:

lembro-te a todo segundo,

por seres meu lar e meu mundo,

minha linda Amambai!


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Cadeira nº. 1:
Patrono: Antônio Delgado Martinez

AMAMBAIENSE FORA DE CASA

Quando estou longe de casa
No meio do trânsito
Aquele semáforo vermelho
Faz-me viajar e por segundos me vejo
Correndo no pátio da escola,
Brinco de salva
Em instantes faço gol
Canto o Hino Nacional
E de lambuja
Pego na mão da Lucinha.
E suado adentro na sala
E o semáforo esverdeou.
Um suspiro sai de minhas entranhas
E lembro-me de Amambai.
O semáforo fechou e lá vem devaneio.
E me sinto no meio do salão
Meu par, a Lúcia perfumada
Dançando alegre e feliz.
Semáforo danado esse agora foi curto.
Lembrei de Amambai.
Cheguei ao trabalho e lá veio um cafezinho.
Que já me levou para Amambai
Cafeína por cafeína
Prefiro tereré com os amigos e as gurias.
Mas aqui é que tenho meu trabalho
Um dia vou ser milionário.
Que coisa, lá vem você na minha cabeça Amambai
Lucinha e o milionários.
Hoje o tal do WhatsApp 
Estou aqui, estou lá.
Isso não sacia
O cheiro do churrasco
O mate sevado
E as conversas com amigos
Agora a saudade eu mato
ou venho alimentá-la
Encontrando-me com os 
Que partiram mais os que 
Lá ficaram.
Na festa dos Amambaienses. 


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Ir para a página de Edirley Viana Vieira
Cadeira nº. 11:
Patrono: João Fousek

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

ACAL é destaque na Noite Nacional da Poesia 2019

Conheça a página do acadêmico. Clique aqui.

ANTIGAS FOTOGRAFIAS DE CAMPO GRANDE  

Antigas fotografias de Campo Grande
Vestem as minhas lembranças.
São partes das vísceras e dos passos 
Dos que, como eu,
Brincaram a infância aqui.

Compõem e definem a Identidade,
O Curriculum Vitae e a herança
Dos que pertenceram, pertencem
E pertencerão às suas ruas.

A Vila Ferroviária encolhida
Com seus paralelepípedos alinhados,
A Afonso Pena robusta e a Mato Grosso
Com suas árvores centenárias gordas.

Os primórdios da 14 de Julho, Calógeras,
13 de Maio, Barão do Rio Branco...
Revestidas de calçadas rudes e carroças
E de casas e lojas que não existem mais.
Os vultos de pessoas e carros antigos 
O crepúsculo abocanhou para sempre.

Os Cines Alhambra, Rialto, Santa Helena...
O tempo insidioso trincou as fotografias
Que tremulam amareladas 
Em minhas mãos parkinsonianas,
Deixando pegadas úmidas em meus olhos.

A ternura envolve meu coração pastoso, 
Enternecido e taquicárdico.
É quase impossível não escorrer 
Gotículas desajeitadas pela minha face.

E quando chega o dia 26 de Agôsto
O melhor que a minha idade permite
É abrir uma janela larga da tarde
Para algum horizonte possível.

Como eu não tenho mais a quem recorrer,
Eu me deleito na saudade e melancolia
Que me invade completamente.

sábado, 28 de setembro de 2019

Amambay


Lugar adorado como nunca se viu
Rios e “corgos” no rincão do Brasil,
arraigada e bela, flor na fronteira:
bela, gentil, sagaz e ordeira.

Veio o progresso, inevitável e lento
Mistura de gente, puro talento
Do barbacuá ao soja, e gado
Trabalho duro, município criado

Da terra querida que me viu nascer
só tenho orgulho e pra agradecer
escrevo um poema com a tinta da paz
arte e trabalho é aqui que se faz

Poderia pertencer a outro torrão
mas a ti escolho por devoção
te quero pra sempre comigo no peito
morrer em teu chão, é sagrado respeito

Campo florido, meu guaviral,
Erva mui rica, caraguatazal
Recanto guarani, eterno portal
Ro rayhú, Amambai: meu chão sem igual...

Parabéns minha Amambai, pelos 71 anos de progresso e beleza!!!


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Cadeira nº. 7:
Patrono: Inocêncio da Silva Rodrigues

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

SONETINHO DE AMOR FINGIDO

Um poema quando nasce
Traz no seu bojo uma dor
Ainda que o mesmo fale
Das coisas lindas do amor.

Ainda que só bendiga
As coisas belas ressalte
Tem não sei quê que se diga
Num poema quando nasce.

Ainda que ninguém veja
Um verso quando nascido
Quando o vate é satisfeito. . .

Tem qualquer coisa que seja
Muito além do seu rabisco
Qual fosse uma dor no peito!

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Cadeira nº. 13:

ABRAÇO

O teu corpo cabe inteiro no meu corpo
Quando me encaixo em você no teu abraço
Eu me reparto em não sei quantos pedaços
E me atraco em você como a um porto.

Encosta assim ao meu teu coração
Cada batida não sabe o dicionário
Vamos ao céu nesse gesto solidário
Ainda que nos fuja a vã razão.

Que eu enfatize minha vida nos teus braços
E que assim seja o teu corpo meu casaco
Pra que eu me vista à rigor no teu abraço!

O teu abraço sabe de cor o meu desejo
Quando eu me recolho nos teus braços
A minha boca declama no teu beijo!

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Cadeira nº. 13:
Patrona: Deolides Segatto Ruhbein