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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Marcas

Olho fixamente e...
O que vejo?
Nas entrelinhas traçadas no meu rosto
Aquelas traçadas pelo tempo
Percebo a marca de tudo que vivi
Das alegrias, das tristezas, dos sofrimentos,
das vitórias
Fixo o olhar naquela figura ali refletida
Se eu reconheço?
Sim... ainda consigo enxergar a menina doce e cheia de esperança
Que um dia acreditou
que mudaria o mundo com sua existência pequenina na imensidão do universo
Queria ser pianista...
queria ser bailarina
Só para poder ficar nas pontas dos pés e rodopiar até cair exausta...exausta de alegria
Não foi nem pianista e nem bailarina
Foi mãe, foi filha, foi esposa.
Amou e odiou também,
por não ser Santa
Ser Santa nunca esteve em seus propósitos...
era demasiadamente penoso abrandar o coração para as maldades do mundo ou das pessoas
Percebi que nesse tempo todo simplesmente fui...
Eu mesma
Fui o que deveria ter sido
As marcas?
Ah, elas estão ali,
aumentando cada dia mais
Mas quem se importa?
A vida deixa marcas
e o rosto as expressa.

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Cadeira nº. 4
Patrono: Zenóbio Neves dos Santos

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

VIDA

Muitas vezes o mistério da vida
Nos traz o encanto de belos dias
Que parecem nunca ter fim...

No desabrochar de uma flor
No voo de um passarinho
No sorriso da criança
Pensamos que fazemos parte da eternidade

Não damos o valor devido
Ao precioso tempo
E de repente...
Tudo acaba...

Ficamos a navegar nas ondas das lembranças
No balanço musical da saudade
Só aí percebemos
Que a vida é uma viagem
Com apenas uma passagem
E sem chance de retorno...

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QUE SENTIMENTO É ESSE?

Que sentimento é esse
Que quando chega rasga nosso corpo
Deixando pedaços espalhados
e difíceis de juntar.
Que sentimento é esse
Que nos torna impotentes, frágeis
Num mar de perguntas sem respostas
E a indagação teima em continuar.
Que sentimento é esse
Que tira o chão de nossos pés
Que alimenta nossos mais terríveis pensamentos
Que não nos deixa continuar a sentir o prazer da vida.
Que sentimento é esse
Que corrói, dói, machuca
É pesado, é resistente, é grandioso
e pequeno, ao mesmo tempo.
Que sentimento é esse???
Saudade???
Não, é a decepção.

(Em 30/09/18)

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NA NOITE EM QUE SE FOI

Na noite em que se foi
As estrelas enfeitavam o céu
Dando um brilho especial
No negrume da noite triste.

Na noite em que se foi
A brisa serena e aconchegante
Deu lugar ao vento derradeiro
Que gelou minhas lágrimas
Na madrugada fria daquela triste noite.

Na noite em que se foi
Meu coração que era feliz
Completo e realizado
Cedeu lugar ao amargor
Ao fel da tristeza
A relutância da perda...

Naquela noite que me vi sem você
Minha alma sentiu o peso dos anos
Suas dores, seus sonhos, seus pesadelos.
Tomei-os todos para mim.

Aquela noite fria, sem alegria
Levou meus sonhos de criança
Pelas mãos do vento gélido
Que soprou em meu ser.

Na noite em que te perdi
Vi toda minha vida passar
Como que por encanto senti
Suas mãos a tocar meu rosto
Envelhecido pela dor
E pela última vez
Beijei sua face
Aquela mesma face que me sorriu tantas vezes
Aqueles olhos que sempre foram meu apoio

Naquela noite vi
Que apesar de tudo
Tinha que seguir com sua história
Sem deixar sua lembrança
Embarcar no buraco profundo
Do esquecimento, das pétalas murchas das rosas...

Hoje continuo seus passos
Não com sua força
Nem com sua coragem
Vou tropeçando todos os dias
Em minhas dores e lágrimas
Mas vou tentando...
Para não decepcionar os que ficaram
Após a sua partida
Naquela noite que não consigo esquecer.

(Tarde de tristeza... 10/09/10... 205 dias sem pai)

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OLHO FIXAMENTE E...

O que vejo?
Nas entrelinhas traçadas no meu rosto
Aquelas traçadas pelo tempo
Percebo a marca de tudo que vivi
Das alegrias, das tristezas,
dos sofrimentos, das vitórias
Fixo o olhar naquela figura ali refletida
Se eu reconheço?
Sim...ainda consigo enxergar a menina doce
e cheia de esperança
Que um dia acreditou que mudaria o mundo
com sua existência pequenina na imensidão do universo
Queria ser pianista... queria ser bailarina
Só para poder ficar nas pontas dos pés
e rodopiar até cair exausta...exausta de alegria
Não foi nem pianista e nem bailarina
Foi mãe, foi filha, foi esposa...
Amou e odiou também, por não ser Santa
Ser Santa nunca esteve em seus propósitos...
Era demasiadamente penoso abrandar o coração
para as maldades do mundo ou das pessoas
Percebi que nesse tempo todo simplesmente fui...
Eu mesma fui o que deveria ter sido
As marcas?
Ah, elas estão ali, aumentando cada dia mais
Mas quem se importa?
A vida deixa marcas e o rosto as expressa.

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LEMBRO VOCÊ

Ouço a música
Que me lembra você
A chuva cai la fora
Eu sentada...lembro de você

Meu coração dói
Minhas lágrimas escorrem
E o vazio...lembra você

Nuca mais...é o que ouço
Além dessa música
Que me lembra você.

Sozinha...lembranças
Em cada gesto, movimentos...
Escorrem pelas minhas mãos
Lembro você...

(Em 21 de março de 2012)

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MAIS UM DIA SEM VOCÊ

Hoje é mais um dia sem você
Dias que se passaram
Dias em que imaginei sem saudades
Dias que quis sem dor

Mas os dias passam
E a saudade aumenta
A dor invade meu corpo
Batendo em meu peito
Como as ondas do mar

Olho o meu passado
E encontro você ali
Sorrindo, com as mãos estendidas para mim

Hoje já não vejo mais suas mãos
Não vejo mais seus olhos,
Não sinto mais sua presença

Hoje sei que seu perfume está se perdendo
Nas nuvens do esquecimento
Sua imagem vai desaparecendo
A cada dia fica mais difícil
Superar a ausência

Meu peito dói
A dúvida toma conta da minha história
Tanto que acreditei
Em tantas palavras
Em tantas promessas

Na minha inocência de menina
Ainda não havia descoberto o verdadeiro sentido
De uma dor profunda
E hoje, mulher que sou
Me sinto pequena
Diante da imensidão que me espera
Sem você a me proteger

Está cada dia mais difícil suportar

Hoje é mais um dia sem vc...

(Mais uma tarde triste de outubro/2010)

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DOCE ILUSÃO

Os dias passam
E a certeza de que não te verei
É o que me alucina...

Meu pensamento vagueia para o longe.
Te buscar,
Esse é o meu lema
Sempre vou te esperar...

Já não tenho a certeza de antes
Nas redes da existência
Vou prosseguindo...
Balançando conforme o vento
As minhas angustias e sofrimentos

Pois sei que não está mais aqui

Na árvore do destino eu colhi
Todas as minhas dores e alegrias
Achando que para sempre eu teria
Você do meu lado...

Doce ilusão...

(Tarde de saudades. 21/10/2010)

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UM DIA PARA A POESIA

14 de março é o Dia Nacional da Poesia
Dia do aniversário de Castro Alves
Poeta dos Escravos...
Mas, todo dia é dia da poesia
O acordar, abrir os olhos
Contemplar o azul do céu
O sorriso do filho
Sentir o doce do mel.
Poesia é sorrir para a vida
Festejar o nascimento
Chorar a morte da pessoa querida.
É poder recuperar toda a doçura
Diante das mazelas distribuídas
Poder ser levado a loucura
Sem medo de ser perseguido.
Poesia é seguir adiante
Como a folha errante
Que se desprendeu de seu porto seguro
Poesia é criar pontes
Ao invés de muros.

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SINTO SUA PRESENÇA

Ás vezes sinto sua presença
Te vejo nos lugares costumeiros
Te vejo fazendo seus afazeres
Te sinto ao meu lado
Meu querido pai...

Muitas vezes me pego conversando com você
Pedindo sua bênção
Te contando meus segredos.
E agora? Que faço sem a sua presença forte
Sem seu sorriso silencioso
Sem seu olhar de amor?

Que faço eu?
Sem sua companhia para o tereré
Sem ouvir sua voz
Me abençoando, me aconselhando
Me contando seus “causos” do quartel.

Que faço eu?

Sigo em frente
Vou sem rumo
Com o coração sangrando
E a dor da saudade que é imensa
Toma conta do meu ser, da minha alma
Do meu eu, enfim
Que faço eu sem meu pai?

Meu pai que era meu mundo
Minha fortaleza e segurança
Cadê seu colo?
Cadê seu sorriso pra mim?

Pai... cadê você?

(22/03/2010 dia triste de segunda-feira)

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