terça-feira, 30 de julho de 2019

ESPELHO

Espelho, espelho meu...
é o Brasil rico, pedras e pedreiras,
mas tem dilúvio no caminho
que atravanca:vai devagar, é Cachoeira.

Não importa “Dilúvio” ou vendaval
seja qual for o espanto,
só não se deve patetear
com “Cachoeira” no quintal.

A “ arte do encontro e desencontro”
de Vinícius é fundamental
sem esquecer-se de Quintana
“– eles passarão, eu passarim”.

Lágrimas das estrelas
pingam no pantanal
animais e natureza gritam:
salvem a terra de Manoel de Barros

Esbeltos são o tuiuiú e arara azul,
Jaguatirica bailam por entre as matas
Jacarés saem dos pântanos e,
esparramam-se no vibrante sol
clamam ao homem: preserve !
– preserve a Vida.

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Cadeira nº. 18
Patrono: Hilton Pereira Vargas

QUAL SENTIMENTO? QUAL EMOÇÃO?

Emoção chega pronta
Não se pode alterar,
devagar é o sentimento
enriquece coração.
No silêncio da manhã
cada um no seu papel
sentimento verso velado
rende renda de emoção

Vida veloz serpenteia
busca o próprio caminho,
proteger o sentimento
é sinal obrigatório.

Quero um punhado de estrelas
que brilhem sem parar.
tem bolhas de sabão
na figueira da esquina.

SOL AMARELO
Caracol escreve lembranças,
anela, alonga e aquece
desacelera o passo, curva em nó
desvenda sua cor.

Amarelo é o meio dia,
hora de Billkis- Rainha de Sabá.
desimportante as estrelas,
a lua, é o que importa,
anoitece paredes
escorre leite na manhã

Nada reescreve o amanhecer
o sol ofusca vento quebrado
com massas modeladas
planta palavras na areia e
segue serpenteando...

Palavras com letras de vidro
tira um pedaço de espelho
escolhe, qual papel diferente
com cheiro de terra molhada
que vai riscar.

Girassol com amor amarelo
esquece as pedras do caminho,
corre o tempo contra o dia
desenha cada vida, cada história.

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O ROSTO

Na sonoridade da esperança
sente vozes de longe
o espelho da bondade
reflete na ladeira.

Qual rosto pode ser...
com semblante emaranhado?
o tempo não falha,
nada fica esquecido.

Rosto carrega sonhos
preparar é preciso,
é a fé que enobrece
amolecendo o coração.

Pulo de um lado,
viro do outro
não me perco
busco tua face.

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SETEMBRO

Paisagens delirantes
sacodem suas matas
beijam o vento, escorrem no poente,
Imploram: preservem os recantos.

Flor, flora, natureza,
tudo impecável e divino...
Bíblia entrelaça a primavera
milagre da redenção.

Azul, vermelho, amarelo,
colorida é a nova estação,
abrem portas e janelas
anjos e arcanjos se deleitam.

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NO REINO DAS PALAVRAS

Quebra-se o silêncio
no reino das palavras
são poemas esperando
a contemplação das letras.

A toada de Drummond
vale pelo amor,
tudo se esquece
o amor supera palavras...

Vinícius vasculha o mundo
abandona religião e misticismo
canta tanto amor e felicidade,
reitera: “beleza é fundamental”

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PALAVRAS REVESTIDAS DE SAUDADE

recorrem Vinicius, Cecília e Drummond,
esboroam-se sonhos de cada ser
é a força de todo verso.

Estremecendo-se no centro
ar de constrangimento,
escorrega na cera da sala
sem titubear, alarga sorriso amarelado.

Com verdes brilhos nos olhos
encolhe-se no sofá
espera do alto um arco-íris
que goteja lágrimas de festa.

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LEMBRANÇAS

Nos retalhos da memória
Desaprendem lembranças,
o sublime é o avesso do real,
o dedilhar de cada nota esquecida,
lembra a saudade que se perde.

Cai à tarde na magia do tempo,
pedras molhadas de saudade
agitam o relâmpago instantâneo,
traços – letras de poeira
confundem-se com melodia dos pássaros.

Pedaço de perdão repartido
entregue com laço de fita,
perdão, pedido obrigatório,
pedreiras derretidas
no colapso do tempo.

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