sábado, 24 de agosto de 2019

Construindo os Alicerces de Amambai

Foto: Divulgação.

O Engenheiro Civil Ernesto Vargas Batista, de tradicional família deste Cone-Sul do Estado, faleceu neste inicio de 2011, legando para todos nós e para a Historia de Amambaí um “curriculum” de trabalho progressista.
No final da década de 1950, quando eu era Fiscal/Avaliador do Banco do Brasil, tive a felicidade de conviver com o amambaiense Ernesto, co-proprietário junto com seus irmãos da Fazenda Morumbi, nas margens do Rio Paraná, na época ainda Município de Amambaí.
O Porto Morumbi atualmente faz parte do Município de Iguatemi, criado em novembro de 1963.Pretendendo executar um projeto agro-industrial inédito na região, o então Prefeito de Amambaí requereu financiamento junto à Carteira de Credito Agrícola e Industrial – CREAI, construindo valetas e outras obras de drenagem em uma área continua de duzentos hectares nas várzeas do Paranazão, com a intenção de cultivar arroz irrigado.Foram edificados também dois Barracões com estrutura metálica, paredes e teto de zinco, a melhor tecnologia possível na época.
Com modernas máquinas para Beneficiamento e embalagem do produto, aquele arroz crioulo de Amambaí conquistou os mercados paranaenses. Anotem que vivíamos os anos 50/60 do século passado, no Sul do então Estado de Mato Grosso, quando a margem esquerda do Rio Paraná ainda era coberta por matas virgens. O Norte Novo do Paraná apenas começava suas derrubadas.
Do outro lado havia o pequeno povoado de Guaíra, criado e fundado pela Companhia Mate Larangeiras (com G mesmo). O Engenheiro Ernesto Vargas Batista tinha visão de futuro. Amambaí começou a ser construída verdadeiramente nessa administração, e por isso sempre comento com meus amigos que o Ernesto foi o melhor Prefeito que conheci nestes meus 76 anos de vida fronteiriça.
Demarcando um traçado mais adequado e moderno foi encurtada a distancia até Ponta Porã, onde o Prefeito João Portela Freire seu parente por afinidade e que tinha raízes também aqui na Vila União como ainda nos referíamos carinhosamente, em parceria construíram o primeiro cascalhamento que permitiu um tráfego mais rápido.
Com freqüência nosso Prefeito embarcava em Ponta Porã nos aviões da Nacional, Real ou Panair do Brasil rumo a Capital Cuiabá em busca de recursos financeiros.
Com seu veículo particular um Jeep DKW, ele percorria as estradas municipais, fazendas de gado e ervais. Afinal, a produção do campo arrecadava os Impostos que construíam Amambaí. Aliás, a produção rural ainda nos dias atuais é a maior fonte de renda local e regional.
Foram redemarcados os traçados das rodovias para Iguatemi, Juti e demais distritos, criando ainda uma Patrulha mecanizada que cuidava dos acessos às Fazendas, permitindo o escoamento da produção e a locomoção dos moradores. Quando Ernesto assumiu a Prefeitura, Amambaí não tinha Energia Elétrica, um simples motor gerador fornecia uma energia precária.
Muitas vezes à noite no escritório de sua residência eu datilografava laudos para o Banco do Brasil, e o trabalho só poderia ser feito até às 20:30 horas, quando o motor era desligado.
Pois bem, Ernesto deu a LUZ para Amambaí. Com poucos meses de gestão, e com recursos da própria população, com venda de Ações foi idealizada, projetada e construída a Usina do Panduí. Com Energia Elétrica abundante e barata ficou mais agradável assistir à noite, aos Filmes no Cinema do Doneville, na Pedro Manvailler, onde hoje é o Escritório de Contabilidade do seu filho Domar e do neto Baiúca. Mantendo a tradição de trabalho e progresso seus sobrinhos Vargas de Aquino, filhos do medico Aristeu são criadores de Nelore Marca 27 do melhor padrão racial regional.
E na Educação, seus sobrinhos netos Ivolim e Lauro Andrey, que além de Monteiro e Carvalho, ostentam o Vargas e Batista operacionalizando as Faculdades Integradas de Amambaí-Fiama, valorizam o futuro. E Amambaí recebeu muitas dádivas pelo trabalho e competência do seu filho ilustre, que agora aos 92 anos faleceu em Campo Grande.
A trajetória profissional e política desse engenheiro/prefeito que armou os alicerces de Amambaí deve ser cultuada como um dos capítulos mais importantes da historia do Cone-Sul do Estado.

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Cadeira nº. 15:
Patrono: Ernesto Vargas Baptista (Patrono da ACAL)

Politécnico Ernesto Vargas Baptista é homenageado em seu centenário

Livro sobre a trajetória do engenheiro será lançado no dia 29 de setembro

Ernesto Vargas Baptista é o Patrono da ACAL.

Para celebrar o centenário de nascimento de Ernesto Vargas Baptista, dia 8 de setembro, homenagens estão acontecendo diversas cidades. Com relatos de sua dedicação na vida pública, o lançamento da biografia está previsto para dia 29 de setembro, às 19h, no auditório Acyr Vaz Guimarães, em Campo Grande.
Ernesto nasceu no dia 8 de setembro de 1918, na Fazenda Issaú, município de Ponta Porã (MS), e faleceu em 5 de janeiro de 2011, aos 92 anos, em Campo Grande (MS). Foi engenheiro, urbanista, professor, prefeito de Amambai e Iguatemi, Secretário de Viação e Obras Públicas no governo de Mato Grosso Uno sendo governador José Fragelli, Assessor Especial do setor de transportes nos governos de Wilson Martins, Ramez Tebet, Marcelo Miranda e Pedro Pedrossian, em Mato Grosso do Sul.
Foi prefeito de Amambai quando ainda os municípios Coronel Sapucaia, Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Japorã, Mundo Novo, Paranhos, Sete Quedas e Tacuru faziam parte. Segundo dados do Censo de 1960, o município de Amambai possuía 23.991 habitantes, sendo o sétimo mais populoso do atual estado de Mato Grosso do Sul.
Além de outros trabalhos, como chefe do Departamento de Estradas de Rodagem de Mato Grosso (Dermat), no Alto Araguaia (MT), agrimensor, participante do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), quando acadêmico de engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Em serviços voluntários, deixou uma intensa relação de atividades comunitárias como rotariano, maçom, sócio da Associação dos Diplomados na Escola Superior de Guerra (Adesg), tanto nos estados de Mato Grosso quanto em Mato Grosso do Sul.
Para o ex-governador Marcelo Miranda Soares, Ernesto será sempre lembrado como alguém que trabalhou arduamente em prol do desenvolvimento do estado. “Eu lembro do Ernesto desde a época de Mato Grosso, antes da divisão do estado. Ele tinha muita vontade de ajudar, de estar junto, de trabalhar em equipe. Trabalhamos juntos num estado em que não existia infraestrutura de nada, hoje, depois de dividido, eu estou vendo que todas as cidades de Mato Grosso do Sul estão com asfalto, com rede de água, com energia. Ernesto participou disso tudo com muita determinação, ele resolvia as coisas e gostava de ajudar. Para ele, eu só tenho elogios”.
“Celebrando a Vida – 1918-2018 – Ernesto Vargas Baptista” foi escrito por Vera Tylde de Castro Pinto, para relatar e eternizar suas múltiplas atividades e contribuições para a sociedade. “Sua vida é digna de ser celebrada, é relevante e inspiradora. O projeto teve iniciativa da família e só foi possível com uma equipe imprescindível. É com grande alegria que a obra foi aprovada pelo Conselho Editorial do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, passando a integrar sua bibliografia na série Biografias”, ressalta a autora.
O lançamento do livro será realizado no dia 29 de setembro, sábado, às 19h, no auditório Acyr Vaz Guimarães, na sede do Instituto, localizado na Avenida Calógeras, nº 3.000, Esplanada da Ferroviária, em Campo Grande (MS).

SOBRE A OBRA

Contendo dez capítulos, a vida de Ernesto Vargas Baptista foi ilustrada com fotos e documentos de época e complementada com os depoimentos de familiares e pessoas que com ele conviveram.
Sua filha, Ana Luzia Abrão, ficou responsável pela pesquisa de conteúdo, já a professora Maria Luiza Pimenta da Cunha foi a digitadora, Danieli Souza Bezerra transcreveu as inúmeras entrevistas, o projeto gráfico é de Marisa Nachif, revisão por Marco Antonio Storani, e apoio da Life Editora com impressão e acabamento do livro.
A obra foi prefaciada pelos professores membros do Conselho Editorial do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, Lucia Salsa Corrêa, vice-presidente do Instituto e Valmir Batista Correa, Presidente do Conselho.

HOMENAGENS EM MT, MS E SP

No dia 23 de maio deste ano, Ernesto foi homenageado, in memoriam, com a Ordem do Mérito Legislativo de Mato Grosso, Comenda Senador Filinto Müller, em Cuiabá (MT).
No dia 31 de agosto, o Sesc Senac Fecomércio inaugurou em Ponta Porã (MS) nova unidade, levando seu nome em homenagem. A solenidade contou com a presença de Ana Luzia Batista Abrão, representando a família de Ernesto Vargas Baptista, diretora regional do Sesc, Regina Ferro, do presidente do Sistema Fecomércio, Edison Araújo, do diretor regional do Senac, Vítor Mello, e do prefeito de Ponta Porã, Hélio Peluffo. O local vai proporcionar ações voltadas ao esporte, saúde e qualificação.
No dia 26 de setembro, a Academia de Letras de Amambai realizará sessão de Instalação, sendo Ernesto o patrono mor da Academia e patrono da 15ª cadeira. A Academia foi pensada e estruturada nos moldes da Academia Brasileira de Letras, com 40 cadeiras e 40 patronos.
Também no dia 26 de setembro, a Câmara Municipal de Amambai realiza moção de congratulação aos familiares do primeiro prefeito, Sidney Vargas Baptista, e do sexto prefeito, Ernesto Vargas Baptista. A solenidade será realizada na Câmara, às 18h.
A Loja Maçônica Silo Vargas Batista, de Iguatemi, prestará homenagem à Ernesto no dia 7 de outubro. O evento será realizado na sede, às 11h.
E, ainda no segundo semestre desse ano, a POLI USP lançará o Certificado Ernesto Vargas para aluno ou grupo de alunos destaque em trabalho de conclusão de curso de engenharia civil, com foco em sustentabilidade.

Este post foi publicado em Politécnicos em 14 de setembro de 2018.


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Nota de pesar

A Academia Amambaiense de Letras (ACAL) informa, com pesar, o falecimento de Aida Domingos, ocorrido nesta quarta-feira e presta condolências aos familiares e amigos.


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

As estrelas lá do céu

Por Rogério Fernandes Lemes
Fonte: Turminha Paraiso
Nicolai acordou bem cedinho. Estava frio. A moça da televisão falava sobre a previsão do tempo para aquele dia. Seu pai estava na sala e ouvia, atentamente, tudo o que ela falava, enquanto abotoava os botões de sua camisa.
Acordar cedo para estudar ninguém merece! Era o pensamento dentro da cabeça de Nicolai. Seus pais acreditam que estudar de manhã era melhor. Para eles, a criança memoriza e aprende mais. Por isso, deve dormir cedo para acordar cedo.
Sua mãe levantava antes de todo mundo e colocava pão de queijo para assar. Nicolai imaginava que o planeta Terra era um enorme pão de queijo. Que pensamento bobo – pensava ele – mas, afinal, quem não tem pensamentos bobos todos os dias?
Um dia, seu coleguinha de sala teve um desses pensamentos. Na hora do intervalo, logo que a professora foi para a sala dos professores, Gustavo e Nicolai foram até o canto do pátio e sentaram em um banco de madeira, embaixo de um pé de plátano. Nicolai ficou surpreso com o pensamento de Gustavo.
Ele contou que pensa nas pessoas que morreram. Gostaria de saber para aonde elas vão depois que morrem. Nicolai nunca tinha pensado nisso. De repente, veio-lhe a lembrança do falecimento de seu avô.
Ele não entendeu direito o que aconteceu no velório. Achou estranho seu avô ficar ali deitadinho o tempo todo. Nunca acordava. Nunca se levantava para conversar com as pessoas que vieram vê-lo.
Mas uma coisa curiosa ele observou. As pessoas vinham até ele e diziam: “Oh, querido Nicolai. Vovô virou uma estrelinha e foi morar lá no céu!”
Gustavo disse que, um dia, sentiu vontade de ficar de ponta-cabeça no sofá da sala de sua casa. Só não ficou porque o sofá era novo e sua mãe, mais que depressa, estabeleceu uma relação enorme de combinados. Os dois riram e ouviram o toque do sinal. Era aula de robótica.
Ao término da aula, logo que viu sua mãe, Nicolai perguntou para aonde vão as pessoas que morrem. “Elas dormem” – disse ela. Aí que ele não entendeu mais nada. Então ele teve um daqueles pensamentos bobos: “Então é assim que serei quando crescer?” Os adultos são tão estranhos.
No outro dia, assim que chegou à escola, viu que algo tinha acontecido. Uma de suas coleguinhas, Elizabete, chorava e estava abraçada com a professora. Depois que todos se sentaram, a professora contou que uma coisa triste tinha acontecido. Ela disse que o irmãozinho de Elizabete ficou doente e não resistiu à leucemia.
Ela explicou que se tratava de uma doença grave e que era muito difícil encontrar um doador de medula óssea compatível.  
Nicolai então se levantou e foi até Elizabete. A professora apenas observou. Os demais alunos, em silêncio, também observavam.
— Tenha calma – disse ele. Seu irmãozinho agora é uma estrelinha lá no céu. O caminho é longo e por isso ele tirou um cochilo até lá. Fique tranquila. Ele dorme.

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Cadeira nº. 1:
Patrono: Antônio Delgado Martinez

Entrevista da ACAL para o site pontaporainforma

Por: Dora Nunes e Tião Prado


Entrevista com o Presidente da ACAL Rogério Fernandes Lemes.